terça-feira, 3 de novembro de 2026
VENTO FORTE
A porta bateu
forte,
bateu no
talo.
Tremeu até o
suporte,
foi grande o
estalo.
O Menino
tremeu,
foi grande o
susto.
O gato preto
correu,
o pulo foi
curto.
Até este seu
poeta,
a caneta
parou.
No meio da
testa,
a pele que se
enrugou.
Depois dessa
bramura,
veio a
tranquilidade.
Depois da
luocura,
voltou a
normalidade.
por Raimundo Sucupira
VENTO FORTE
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, o passado é tão importante quanto o presente,
a única diferença é que um já aconteceu e o outro
ainda está acontecendo, é essa a diferença entre os
dois, mas a importância é a mesma. Cada uma tem
o seu devido valor, nós podemos conviver com os
dois perfeitamente sem que nenhum dos dois possa
interferir um no outro.
Por pensar dessa maneira, ver as coisas desse jeito,
abracei esse projeto de falar e mostrar as inúmeras
histórias que ouço ao longo das minhas andanças
por esse meu sertão. tão belo.
Como já venho mostrando ao longo dos anos nesse
Blog, as histórias engraçadas que ouvi nas minhas
idas e vindas por essas paragens, dessa vez farei ao
inverso.
Dessa vez não vou contar a história dos outros, mas
a minha, algo que me aconteceu de verdade, sem as
alterações, ou melhor, sem inventar, falar somente o
que de fato aconteceu de verdade. Pois bem, vamos
aos fatos, quer dizer, a história, a história sem tirar
nem pô, tão somente a verdade dos fatos, o que de
fato me aconteceu naquele dia.
A história: lá pelos idos dos anos 70, precisamente
em 76, no auge dos meus 17 anos, cujo o vigor, este
em plena ascensão devida à idade, levava-me a ter
a curiosidade em buscar novas aventuras, gostava
de buscar algo novo.
Na flor da idade onde a chama da juventude arde e
chispa aos borbotões com toda a sua rutilância nos
faz fazer coisas do arco da velha.
Estava sempre a andar por essas bandas em busca
de algo novo, uma delas era o contacto com a mãe
natureza, gostava de andar pelo mato em busca de
algo novo.
Aqui no sertão donde predomina a mata branca, a
mata branca é a paisagem esbranquiçada sem folha
verde, o que se destaca na paisagem são os troncos
secos e de cor clara refletindo a luz do sol. O verde
só se vê quando a chuva chega por aqui, ai sim meu
sertão muda da água para o vinho, o verde fica mais
presente.
Sem contar com a fartura, é inacreditável ver o que
acontece por aqui, são muitas as plantas frutíferas
que encontramos por essas bandas na época das
águas, são muitas dentre elas a jabuticaba, o caçu,
a gabiroba, o mamãozinho, a cagaita, a mangaba, o
cajuzinho, o umbu, o araçá, o araticum e outras que
se encontra por aqui na época das águas. Foi em
busca de uma dessas frutas que passei o maior
aperto da minha vida, contar-vos ei o fato ocorrido,
um certo dia levantei-me dei um olhada no tempo,
este me parecia bom, como estava na
época do araticum resolvi sair para buscar essa que
é uma das mais deliciosa fruta que há por aqui, não
tem como negar, é uma delicia.
Pois bem, levantei logo cedo, peguei uma cesta e o
embornal com o meu estilingue e partir rumo a um
lugar que tem muitos pés de araticuns, o dito lugar
é chamado de lagoa da pedra.
O dito lugar é um poco longe, caminha se várias
léguas até chegar ao dito lugar, lá tem uma lagoa
cuja a água é branca feito leite, raramente se vê
lagoa com a água desse jeito.
Ao chegar no dito lugar parei num lugar muito
belo para tomar um poco d' água no caldeirão que
tem naquele lugar muito belo. aliás, em volta do
caldeirão tem muitos pés do araticuns, depois de
tomar água fui até os pés de malva branca catei
uns pés da malva coloquei no fundo da cesta para
que os araticuns não viesse a amassar. Comecei a
ir de pé em pé a catar as frutas, num deles dei de
cara com uma rodilha de jararaca, a medonha com
o bote pronto.
Diante do enorme perigo resolvi não correr o risco,
embora tivesse vários frutos passei por fora, deixei
a fera em paz no seu canto, dando a volta e seguindo
para outros pés. Não demorou e a cesta já estava
cheia de araticuns, ai comecei a procurar os pés de
umbus, conhecia alguns que era muito doce, dentre
eles o da rolinha,.
O umbuzeiro da rolinha era um pé muito especial,
os umbus era pequeninos, porem, muito doce, tinha
um formato avermelhado perto do talo, era muito
doce esse umbu. Ao chegar ao dito pé de umbu eu
notei que o tempo começou a mudar, a ficar escuro,
subi numa galha e comecei a chupar os umbus, algo
começou a mudar.
Eis que de repente começou um vento forte, tão forte
que o mato ia até o chão e voltava, antes mesmo de
reagir a galha que eu estava em cima quebrou e eu
fui parar no chão. Não demorou e veio uma chuva, a
dita chuva era de gelo, ou melhor, de granizo, cada
pedra do tamanho de uma bola de gude, batia na
minha cabeça como se fosse uma pedra. Nem mesmo
o meu chapéu casco de tatu deu conta, para os que
não conhece o chapéu casco de tatu é um chapéu de
palha, ele tem as tiras costurada uma sobre a outra,
dai o nome casco de tatu.
Agarrei-me com a cesta com os araticuns juntamente
com o tronco do umbuzeiro e aguentei o baque, vi o
mato deitando e levantando, o vento que assoviava a
todo vapor, e essa chuva que não parava, esse vento
que não cessava. E eu agarrado à minha cesta cheia
de araticuns, o medo só aumentava, ninguém para me
acudir, a chuva que não passava, o vento que não
cessava, e eu ali assombrado. Tudo isso durou por
quase meia hora, meia hora que pareceu um século,
eis que aos poucos a coisa foi diminuindo até que a
chuva e a ventania se acalmou um pouco. Ai eu não
vacilei, peguei a cesta e o embornal e deitei o cabelo,
molhado feito pinto, para facilitar guardei as minhas
alpercatas no embornal e pernas pra que te quero, foi
a maior carreira que dei na vida.
Cheguei em casa assombrado, botando o bofe pela
boca, ainda tive que ouvir uma carraspana da minha
mãe, tudo aquilo para um garoto com apenas 16 para
17 anos foi uma aventura e tanto. Depois dessa chuva
só fui enfrentar outra igual em São Paulo em 1979, só
que a de São Paulo foi com trovoada, eu morava só
na cidade Ademar, essa também foi de lascar, parecia
que o mundo ai acabar.
Há, para ser justo, eu não morava só tinha uma bela
cadela que morava comigo chamada de Laica, uma
bela cadela que gostava muito de mim, ela era quem
guardava a casa quando ia trabalhar.
O tutor da Laica era o dono da casa, que também era
o dono do restaurante onde eu trabalhava.
Depois dessas duas chuvas nunca mais vi uma como
aquela, felizmente ou infelizmente, dependendo do
contexto, pois para a nossa tristeza a chuva fica cada
vez mais escassa por essas bandas, antigamente a dita
cuja era mais frequente.
Se amigos e amigas me indagar qual dos dois prefiro
lhes diria que eu prefiro aquele tempo antigo, o que
chovia mais, era bem melhor, tinha mais fartura, tudo
era bem melhor. Não é uma questão de ser saudosista,
mas de escolha mesmo, para quem viu e viveu todo o
que vivi eu prefiro aquele tempo. De modo que, é por
essas e outras que preservo muito bem guardado nas
paginas da mente tudo aquilo que vi e vivi no passado.
Paz e bem....
Raimundo Sucupira
terça-feira, 27 de outubro de 2026
SEGREDO
Eu pensei que tudo
sabia,
mas vi que não sei
nada.
Pensei que tudo
podia,
mas vi não não posso
nada.
A vida é um grande
segredo,
viver é muito
custoso.
Decifrar esse grande
enredo,
é muito doloroso.
A vida é mesmo
assim,
todos tem que
entender.
O que é bom para
mim,
poderá não ser para
você.
Tudo tem o seu
preço,
nada nos vem de
graça.
Tem muita pedra de
tropeço,
nem tudo a gente
traça.
por Raimundo Sucupira
FINALMENTE O BEM VENCEU O MAL
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, essa luta política foi a mais dura e importante
dos últimos anos, pois foi a luta do bem contra tudo
quanto é de ruim, essa extrema direita fascista leva
consigo tudo de mal que se possa imaginar, em nada
essa gente nos representa.
Esse grupo fascista representa o crime organizado,
através de uma família bandida, miliciana, essa que
tomou de assalto a direita tradicional.
Vos confesso que nesse domingo passei o dia inteiro
com a alma perturbada inundada por várias coisas
pela mente, tudo isso acabou deixando-me com uma
certa apreensão.
Depois de passar o dia inteiro com essas perturbações
no final do dia veio o alívio, fui dormir com a alma
lavada e enxaguada. Neste domingo foi a vitória do
bem contra o mal, da verdade contra a mentira, da
esperança contra o medo, do Amor contra o ódio, a
normalidade tende a voltar ao normal é isso que nós
esperamos.
Temos que deixar para trás tudo de ruim que fez com
que a sociedade ficasse dividida, agora é hora de por
as coisas em ordem e correr atrás do tempo perdido, a
vida tem que seguir em frente.
Dias atrás eu falei da minha preocupação com o novo
congresso, o que este poderia fazer para atrapalhar os
projetos do governo, mas quando se trata do grande
presidente Lula a coisa muda de figura, pois o Lula é
o maior estadista do mundo. Ele saberá conduzir tudo
em benefício do Brasil, da coletividade, principalmente
dos mais pobres que é a sua bandeira de lutas, são eles
que mais precisa de proteção.
Como bem disse em várias ocasiões nesses 4 anos irá
colher os frutos do que plantamos ao longo desses 4
anos que passaram, agora é hora da colheita, que venha
os frutos.
As arestas? essas ficam para trás! são pequenas diante
da grandeza do nosso pais, do nosso povo que merece
tudo de bom que se possa seguir em frente, é assim
que temos que pensar e agir. Nós já pagamos um preço
alto demais por conta dessa tal divisão, agora é hora
de vivermos na santa paz de Deus amando e se querendo
como irmãos.
Temos que ter a grandeza de saber pedir desculpas uns
aos outros por ter extrapolado em alguma coisa, tudo se
resolve na base do diálogo, da boa e velha conversa, não
na base da porrada.
Não é pela força bruta que nós iremos conquistar o que
queremos, mas com o diálogo, com o devido respeito aos
iguais, é tão bonito a civilidade, o respeito.
Devemos ter paciência para saber ouvir os demais, todos
temos algo a dizer sobre as coisas que acontece no nosso
dia a dia, nem sempre o que queremos o de melhor para
a coletividade, às vezes alguém tem ideias melhores do
que as nossas.
Em assim sendo, não custa nada ouvir os demais sobre
as coisas que deve ser feita, para que todos juntos sem a
tal da divisão possamos construir a sociedade justa e
fraterna que todos queremos deixar para os nossos filhos
e netos.
Para mim que já percorri uma longa e penosa caminhada
toda ela voltada para o bem comum, vai-se lhes pra mais
de 49 anos de militância, galgado nessa experiência vejo
que é chegada a hora da união, não da divisão, da paz não
da guerra. Os embates ficaram para trás, fazendo uso de
um velho chavão( foram-se os anéis, ficaram-se os dedos)
nesse caso, acabou-se os embates políticos ficaram-se os
inúmeros problemas que temos que enfrentar no nosso dia
a dia.
Vale ressaltar que, como membro desse grupo que acaba de
vencer essa eleição, jamais deixarei um só brasileiro ou
brasileira para trás, defendo que todos marchamos juntos,
sem divisão. O Brasil precisa de todos nós, os desafios são
grandes pela frente, se faz mais do que necessário que tudo
seja em comunhão.
Vejo o final de tudo isso de uma maneira bem clara, não
importa se são vencedores ou vencidos, o importante é que
nós somos todos brasileiros e brasileiras cujo o objetivo é
o mesmo, defender o nosso futuro e dos nossos filhos e
netos.
Aproveito para fazer um apelo aos demais, não deixe que
a divisão política os separe dos que lhes amam, dos seus
amigos. Lembrando que uma amizade de verdadeira vale
mais do que todo dinheiro que se possa juntar, esse é um
dos tesouros que vale apenas preservar.
Ao longo desses 49 anos jamais misturei certas coisas, a
política, o futebol, a religião, a amizade, nunca misturei
essas coisas, tudo no seu devido lugar.
Aconselho os amigos e amigas a fazer o mesmo, não faz
com que a política os afaste daqueles que vocês gostam,
não vale apenas perder uma amizade por conta da coisas
banais.
O poder não é eterno, ninguém fica no poder para sempre
um dia iremos sair dele e outros assumirão em nosso lugar
e assim se segue a vida.
A obsessão pelo poder é uma mera ilusão, não vale apenas
gastar o seu precioso tempo lutando por isso, o que vale
mesmo é viver bem com aqueles que nos amam, o resto é
pura ilusão.
Esse é um conselho da parte de quem já viu e viveu muitas
coisas nessa vida, repito, não importa quem é quem, se são
vencedores ou vencidos, isso já não tem tanta importância,
o que importa é que somos um só povo, uma só nação em
busca do bem comum.
Que cada um de nós faça a sua criteriosa reflexão para que
a sociedade volte ao que era antes, sem ódio, sem medo,
sem a mentira, mas onde todos falem tão somente a mais
absoluta verdade.
Ensinando aos nossos filhos e netos que só o amor e a paz
constrói, para que essa nossa geração possa deixar um pais
bem melhor para eles.
De modo que, nós temos a nobre e penosa missão de por
em ordem as coisas neste pais para que tudo volte ao
normal novamente, pelo bem de todos e de todas é isso
que penso sobre tudo que acaba de acontecer. Paz e bem.....
Raimundo Sucupira
terça-feira, 20 de outubro de 2026
SERTÃO
Eis que um grande
avoaseiro,
pelas bandas do
sertão.
Um bravo e temido
cangaceiro,
de parabelo na
mão.
Na tocaia o
matador,
no carreiro o
cassado.
No roçado o
catador,
na maravalha o
gado.
No sertão é
assim,
nada é por
acaso.
Tudo tem um
fim,
sendo fundo ou
raso.
Esse é o meu
lar,
o melhor lugar
do mundo.
Como o sertão
não há,
o sentimento é
profundo.
por Raimundo Sucupira
LABUTA AO SOL
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, quanto mais se fica velho mais as lembranças
vão ficando mais frescas, pelo menos comigo essa
verdade fica clara a cada ano que passa e o janeiro
vai se assentando sobre os ombros, para não dizer
pesado.
Pois vai se lhes pra mais de 60 anos de caminhada,
de uma longa e penosa labuta para manter se de pé,
para não dizer remando contra a maré, pois são
muitas as pedras no caminho que temos que tirar e
prosseguir.
Em casa como costumo fazer, pois já não saio de
casa com tanta frequência como fazia tempos atrás,
prefiro ficar em casa mais precisamente ao quintal
em meio às minhas plantas, essas companheiras que
estão sempre a minha espera.
Cá pra nós, como um sertanejo, ambientalista não
poderia ter melhor companhia que as plantas e os
pássaros que não sai do quintal por conta das frutas
que lhes dou.
Dia desse ao molhar as minhas plantas num calor
daqueles de fazer inveja, pois aqui em Paramirim,
Bahia, Brasil, sertão, pois a minha amada terra é
situada bem no meio do sertão o melhor e mais
belo lugar do mundo para se viver, porém, o sol e
o calor é de rachar.
Se o cabra facilitar frita a moleira, sentindo calor
sentei-me sobre a sombra de um pé de goiabeira e
comecei a folhar os alfarrábios da mente, parei em
uma passagem bem distante, lá pelos idos de 1965,
nessa época eu tinha 6 para 7 anos. Meu pai tinha
um estimado amigo que morava num lugar que era
chamado de lagoa de fora, o dito lugar não era tão
longe, não para quem mora no sertão, caminha-se
por léguas tudo sem reclamar.
Nos domingos o meu pai costumava ir visitar esse
seu estimado amigo, o dito cujo atendia pela
alcunha de Francino, mulato alto, furnido tinha por
volta dos 40 anos, bom de prosa, sorriso fácil, nada
lhes tirava a calma com facilidade, estava sempre a
sorri.
Num certo domingo fazia um calor dos diabos, sol
de rachar lá fomos nós rumo à lagoa de fora, casa
do Francino, ao chegarmos perto do rancho de
enchimento onde o dito cujo morava avistamos ele
em meio ao sol de rachar as voltas com sua velha e
gasta enxada.
O dito cujo estava a capinar o catador que ele tinha
plantado no pó, quando se planta no pó se colhe
primeiro, mas também se pega na enxada mais cedo
pois a babuje nasce com as primeiras chuvas, era o
que ele estava fazendo.
Meu pai gritou França! ele respondeu, vamos chagar!
as panelas já tá no fogo! não demora e o capado vai
ficar pronto! para os que não conhece o capado é um
frango especial. O dito cujo é criado diferentemente
dos demais, ele fica bem maior do que os outros, em
nada se compara.
Voltamos ao assunto, chegamos ao terreiro em meio
ao terreiro tinha um velho e longo tronco de madeira
com dois buracos, um maior e outro menor, o famoso
pilão.
encostado na sombra do pé de moreira as duas mãos
do pilão, uma mais grossa e a outra mais fina, cada
uma tinha a sua boca, uma para o buraco maior e a
outra para o buraco menor, não tinha erro, tudo bem
organizado.
A menor era para pilar o café torrado, ficava mais
fino, a segunda a mais grossa era para pilar o milho
para tirar o fubá para fazer o cuscuz, pilar o arroz e
a carne seca para fazer a paçoca, cada uma tinha sua
serventia.
Os dois entraram para dentro da casa e eu fiquei com
o cachorro malhado que ele criava, um cachorro bem
cuidado, um caçador de primeira linha quando saia a
caça não voltava sem uma caça. O malhado gostava
muito de mim, toda vez que eu chegava era um festa
ao me ver, a reciproca era verdadeira, eu também lhes
estimava muito.
Amizade verdadeira entre menino e animal, coisa de
verdade, sem nenhum interesse, coisa genuína, raro e
que não se vê mais nos dias de hoje, pois as crianças
preferem o celular do que a amizade de um cachorro
de estimação.
Só parei a brincadeira com o malhado quando o seu
Francino saiu na porta com uma cuia cheira de umbu
para mim, ai eu fui correndo rumo à cuia com aquela
delicia. De posse da cuia de umbu sentei-me no dito
pilão e comecei a chupar os umbus, uma delicia, que
doçura, umbus inchados ao morder estralavam entre
os dentes.
Enquanto isso os dois na cozinha as voltas com o
capado para o almoço do meio dia, eu nos umbus, o
tempo que não passava, o meio dia que demorava, o
capado, o almoço que não saia, afinal, pressa pra que,
tudo no seu tempo.
Ao meio dia chamaram-me para o almoço, o prato de
barro, feijão catador verde, arroz pilado no pilão, por
cima cortado de maxixe, generosos pedaços do capado
ensopado.
Não me fiz de rogado, peguei a colher e entre uma
colher e outra uma mordida num pedaço do capado, o
dito cujo estava uma delicia, nem mesmo me importei
com a pimenta que se fazia presente, o fato é que, não
sobrou nada.
Em baixo da mesa de peroba o malhado se deleitava
com os ossos do capado, tudo só para ele, que coisa
maravilhosa, o tutano daqueles ossos, tudo só para o
malhado.
Ao longe se ouvia o estralar dos ossos passando pelos
dentes afiados do malhado, depois da comilança veio
o merecido descanso na rede pendurada sobre o galho
do pé de moreira no terreiro.
Antes o seu Francino foi até um embornal que ficava
pendurado numa forquilha num puxadinho ao lado da
casa pegando um batido, o batido era comprido, pois
tem batidos redondo também, o que ele pegou era um
comprido.
O batido era daquele bem branquinho, logo em seguida
partiu o batido ao meio, dando-me um pedaço, o batido
era doce, muito doce, uma delicia que qualquer um tem
vontade de comer. Depois que comi o generoso pedaço
de batido fui até a casa rumo ao pote que tinha num dos
cantos da sala, peguei uma caneca e enfiei no pote e
bebi quase a caneca toda.
Coloquei a caneca no pequeno gancho que ficava ao
lado do pote e voltei para a rede, de lá só levantei com
o chamado do meu pai para ir se despedir do seu
Francino, o sol já estava pelo meio da tarde, o calor já
estava um pouco ameno.
Meu pai pegou o seu embornal com os umbus que seu
Francino mandou para a minha mãe, a mim ele delegou
a uma tarefa bem mais dura, uma pequena cesta com os
ovos.
Antes seu Francino colocou malva rasteira no fundo da
cesta para que os ovos não viesse a quebrar, de posse da
tal cesta com o maior cuidado é claro, pois se um só ovo
quebrasse a madeira cantava no lombo, deitamos o pé na
estrada.
Depois de uma longa caminhada finalmente chegamos
em casa, minha mãe já nos aguardava ansiosa por conta
dos tais ovos, os ovos era para fazer brevidades, um dos
mais deliciosos bolos que já comi. A minha mãe fazia
uma brevidade de dar água na boca, depois que a minha
mãe se foi nunca mais eu comi uma brevidade como as
que ela fazia.
A aventura não terminou por ai, ainda tive que cumprir
mais uma tarefa, ir até a lagoa buscar água para molhar
os pés de coqueiros que tinha no fundo da casa, eram
quatro pés. Eu buscava a água numa cabaça grande que
meu pai tinha, a danada cabia água pra caramba, levava
duas cabaças em cada pé de coqueiro, tinha que dar oito
viagem à lagoa.
Só depois a tarefa estava cumprida, poderia ir brincar
com os colegas, meio quebrado mas ainda tinha alguma
energia para brincar, as brincadeiras varava noite a
dentro, assim que o sol desaparecia o breu, pois não se
tinha luz elétrica. ai todos se recolhiam cada um para a
sua casa, brincadeiras só no outro dia, ai começava tudo
de novo, que saudade da minha saudosa infância, coisa
que não volta mais.
De modo que, essa foi só mais uma das histórias que eu
tinha para vos contar, vos prometo que numa outra hora
vos contarei mais algumas, até a próxima meus amigos e
amigas. Paz e bem.....
Raimundo Sucupira
terça-feira, 13 de outubro de 2026
ESCOLHA
Quem não sabe
votar,
quem não sabe
escolher.
Bem caro irá
pagar,
com certeza vai
perecer.
É bom pensar
direito,
antes que possa
votar.
Quem apoia o
mal feito,
não perde por
esperar.
Essa escolha é
clara,
é do bem contra
o mal.
O amor que se
declara,
num momento
crucial.
Cada um tem que
fazer sua parte,
ninguém pode se
omitir.
Evitar que um
desastre,
nos impeça de
prosseguir.
Por Raimundo Sucupira
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