terça-feira, 11 de agosto de 2026

RAZÃO

 Tudo nesse velho
 mundo,
tem a razão de
ser.
No fundo do
fundo,
todos tem que
saber.
Não sé pode 
dizer,
que tudo esta
errado.
Não sé pode 
aprender,
sé não nos for
ensinado.
Tudo tem o eu
dia,
sem contar com
a hora.
Aquele que não
sabia,
fica sabendo
agora.
Não se pode
dizer,
que a vida é
ruim.
O que é bom
pra você,
poderá não ser
pra mim.

por Raimundo Sucupira



CAMADA DE PAU

 

Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, a história é uma das coisas mais importante 
da vida de um homem e de uma mulher, pois essa
significa tudo que aconteceu em nossas vidas, isso
não tem preço.
É por pensar dessa maneira que faço de tudo para
preservar a minha história, a minha memoria, tudo
que já me aconteceu no passado.
É por essas e outras que abracei esse projeto de
contar as inúmeras historias que aconteceu nessas
bandas do meu sertão. Devido às bramuras que 
vem acontecendo no mundo inteiro deixei de vos
contar essas histórias por um bom tempo, mas que
volto a lhes contar agora.
Dar para conciliar as duas coisas, por isso vou lhes
contar uma que me aconteceu nos tempos idos, lá
por volta dos anos 70 ainda na flor da idade, com 
10 para 11 anos.
A época mais bela e feliz da minha vida, coisas
que só agora muitos anos passado é que damos a
divida atenção.
Vamos aos fatos, ou seja, a história, o que ocorreu
naquela época, tudo sem tirar nem por, tão somente
a verdade dos fatos. 
Meu pai tomava conta de uma pequena fazenda da
minha tia que foi morar em São Paulo, ela era 
esposa de seu Nonô um dentista que morava aqui
em Paramirim. Pois bem, vamos a história, ainda
criança não trabalhava o único trabalho que fazia
era levar a comida para meu pai na roça ao meio
dia.
Meu pai tinha vários trabalhadores que fazia roça
com ele, dentre eles tinha um o Iozinho um sujeito
que comia uma agua das boas, mas que era um
sujeito muito trabalhador, plantava roça grande e
muito bem cuidada. Ele morava numa casa perto
da lagoa em frente à dita fazenda que meu pai
tomava conta, eu costumava brincar com um dos
seus filhos o Chico que era da minha idade, eu ai
lá brincar com ele. Naquela época não tinha agua
encanada nas casas nem energia elétrica nas casas
as pessoas tinha que buscar agua no rio ou na 
lagoa, a luz era na candeia.
pois bem, o pai do Chico mandou ele buscar agua
na lagoa e depois ir na venda de Salvador buscar 
querosene para colocar na candeia para iluminar 
a casa.
A dona Maria já tinha reclamado que a dita cuja
tinha acabado e precisava buscar na venda onde
tinha a caderneta.
Para os que não conhece a caderneta é uma conta
que só paga no final do mês, no interior ainda tem
a dita caderneta em certas vendas.
Como todo menino é atentado por uma boa
brincadeira, cheguei lá e chamei o Chico para
brincar e o Chico esqueceu de cumprir a tarefa
que seu pai lhes mandou fazer, jogava bolinhas
de gude ao terreiro na maior alegria, eis que de
repente chega o seu pai, ele parou em meio ao
terreiro e olhando para o Chico lhes indagou, a
tarefa que mandei você fazer você cumpriu? foi
buscar a agua na lagoa? foi buscar a querosene
na venda? o Chico respondeu não! porque você
não foi? respondeu esqueci! hum! Iozinho olhou
demoradamente para o Chico, depois  de olhar
bem para o Chico ele lhes indagou novamente,
tú é homem Chico? o Chico respondeu, não! e o
que tú é Chico? o Chico respondeu, moleque! ai
a madeira cantou no lombo do Chico, tá! tá! tá! 
tá! o cinto era daqueles de couro bem largo, o
Chico saiu com o coro quente.
O coitado do Chico desceu aos borbotões rumo
à lagoa sem olhar para trás eu fiquei meio sem
graça em meio ao terreiro com as bolinhas de
gude em mãos. 
A camada de pau foi tão grande que o Chico foi
dormi no mato naquele dia, desse dia em diante 
o Chico nunca mais deixou de cumprir as tarefas
para brincar.
Toda vez em que eu lhes chamava para brincar o
dito cujo falava depois que eu cumprir as tarefas
eu vou.
De vez em quando eu gozava dele e ele virava
uma fera, dizia é porque a surra não foi em tu
infeliz! era aquela gozação, o Chico era baixinho
atarracado, valente, corria atrás dos meninos a
xingar.
Depois de muitos anos trabalhando com o meu
pai o Iozinho foi embora para São Paulo nuca
mais voltou, passado mais de 50 anos ainda me
lembro dessa história, daquela gente, daqueles
amigos.
De vez em quando recolho-me num canto faço
uso das paginas da mente, revirando os
alfarrábios da mente e relembro de tudo aquilo
que aconteceu-me no passado, os amigos que
há muito não os vejo, bate uma saudade danada.
Travando uma longa e penosa peleja com essa
tal modernidade ainda não acostumei com essa
enorme perda.
A minha saudosa infância, tudo aquilo nos faz
tanta falta, só agora passado mais de 60 anos
vejo o quanto erámos felizes, que tudo aquilo
já não é mais possível, coisas que não voltam
mais. Precisava-se de tão pouco para ser feliz,
a simplicidade das coisas, mesmo assim se era
feliz, não existia essa tal melancolia, essa tal
correria, tudo era tranquilo, sem estresse, tudo
era calmo, tranquilo.
Agora nesses tempos modernos a coisa é bem
diferente, a correria, o estresse, já não se tem
mais tempo pra nada, tudo isso me é estranho,
não consigo acostumar-me com isso, não gosto
nada disso.
Como um bom saudosista prefiro aqueles 
velhos e bons tempos, era bem melhor, não era
corrido como agora, tudo era calmo, tranquilo,
era só paz e amor, cada um respeitava o tempo
do outro.
Agora não, a cobrança é grande, fica todo mundo
de olho um no outro, qualquer vacilo a cobrança
é certeira, a critica não demora a chegar, isso nos
deixa com a pulga atrás da orelha, às vezes não
fazemos algo por medo das criticas, com medo
de não agradar os outros.
Tudo isso acaba por atrapalhar a nossa vida, o
que acaba em fracasso, não por sermos fracos, 
mas por excesso de prudência, tudo para não ser
criticado.
Sem duvida tudo isso acaba por atrapalhar nossa
vida, depois das redes sociais isso ficou ainda 
pior, qualquer coisa que você faz ou fala logo
vem a enxurrada de criticas. Não se pode errar,
tudo tem que ser muito bem calculado, tudo tem
que ser muito bem feito. Fazendo uso de um
velho chavão( se correr o bicho pega, se ficar o
bicho come) o fato é que, não se pode vacilar, a
coisa tem que ser muito bem feita, quem erra é
fulminado. 
Tudo isso acaba por contaminar as pessoas, os
que queria fazer as coisas acaba por não fazer, o
medo das criticas não lhes deixa realizar certos
sonhos, o medo acaba por sobrepor aos sonhos.
Mas como sou teimoso, não desisto nunca, não
tenho medo das criticas, continuo a fazer o que
gosto que é contar histórias, mesmo sabendo o
risco que corro de receber criticas. Sei que tem
os que gostam e os que não gostam de ouvir as
histórias que contamos, no entanto, não vai ser
por conta de criticas que vou parar de fazer o
que gosto.
Por isso peço aos que porventura acham que é
demasiadamente o que faço, que tenha calma e
veja o lado bom das coisas, que ouvi uma boa
história de vez em quando nos trás um pouco
de alento a já tristonha e conturbada alma. Na
vida tudo tem que ser levado em consideração,
nada pode ser descartado, nem mesmo as 
criticas, pois elas poderão nos ajudar a rever
certos conceitos, ou seja, mudar para melhor o
que fazemos.
É por essas e outras que abracei esse projeto
em contar essas histórias que nos aconteceu no
passado, tudo isso acaba por dar uma pequena
contribuição para com a  sociedade moderna
que não conhece certas coisas. Nota-se que os
moços não conhece muitas coisas que para nós
no passado era comum, normal, mas que agora 
é novidade.
Assim como as coisas que acontece agora, na
modernidade são para mim estranha, coisas que
não consigo me acostumar, para esses moços o
que aconteceu no passado também lhes é
estranho.
O que é positivo em todo isso é que um acaba
por ajudar o outro, o velho e o novo um ajuda
o outro e ao final tudo acaba bem, todos ficam
felizes.
Vale ressaltar que, infeliz daqueles que não
tem uma história para contar, esse equivale a
uma folha seca que vaga ao vento do sem rumo
ou direção. Por conta disso que sempre lutei
para preservar essas memorias, esses preceitos
que fizeram parte de nossas vidas lá atrás e que
jamais poderá ser esquecido. Faço questão de
vos dizer que, a minha memoria é um arquivo
vivo, tenho muito o que contar, são muitas as
histórias que haverei de vos contar logo adiante
no momento oportuno.
Enquanto isso, vão curtindo essa do meu amigo
Chico, o menino que por conta da brincadeira
esqueceu de cumprir a tarefa que o pai lhes
confiou, que isso sirva de lição aos moços, as
obrigações vem sempre em primeiro lugar, as
brincadeiras vem depois. é assim que as coisas
funcionam.
De modo que, depois daquele acontecimento eu
aprendi uma lição, jamais deixar para depois o
que temos que fazer agora, nunca levei um cinto
no lombo, no máximo uma Carraspana, sempre
fui um menino obediente. Paz e bem.......

Raimundo Sucupira




terça-feira, 4 de agosto de 2026

MÁ CONDUTA

 Entre uma pinga 
e outra,
o pensamento.
A poesia nos
mostra,
a grandeza do 
momento.
Um poeta que se
presa,
não brinca com a
poesia.
Não escreve com
pressa,
nem tão pouco 
com hipocrisia.
O que vem do
coração,
é o que vai para o
papel.
Não importa o
refrão,
sé amarga feito
fel.
Na poesia se fala
do amor,
das coisas
maravilhosa.
Também se fala da
dor,
de muita coisa
misteriosa.      

por Raimundo Sucupira

CAVALO BAIO

 

Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, as lembranças é o maior e mais precioso dos
tesouros que um homem pode guardar, este grande
tesouro que as traças não come, os  ladrões não 
Roubam, em fim, este importante tesouro dura para
sempre.
Nem mesmo a falta da liberdade faz com que tudo
isso seja interrompido, mesmo preso o homem tem
as suas lembranças preservada.
Eu costumo dizer nas minhas crônicas que o homem
que não preserva a sua história, que não zela pela 
memoria este equivale a uma folha seca a vagar ao
sabor do vento sem rumo e direção.
É por pensar dessa maneira que faço questão de ter
tudo isso muito bem preservado, guardado dentro
da minha cachola muito bem guardado, de vez em
quando vou lá e pego.
Quando sou acossado pela melancolia que aparece
para nos assombrar nesses tempos modernos apelo
para essas lembranças que estão lá muito bem
guardada. Sessenta e poucos anos passado do meu
nascimento recolhido no meu lar, pois não gosto de
sair muito de casa, prefiro ficar na tranquilidade da
minha casa para escrever as minhas crônicas e as
poesias.
Principalmente agora que o meu netinho Otto
Antônio chegou para alegrar a nossa família, agora
que não saio de casa mesmo.
Dia desse recorri a esse valioso tesouro que guardo
com muito cuidado, depois de revirar os alfarrábios
da mente dei de cara com uma passagem muito boa
que guardo muito bem.
Lá pelos idos dos anos sessenta precisamente 65, a
casa antiga donde morávamos, meu pai, minha Mãe
eu e meus irmãos e minhas irmãs. Lembro-me como
se fosse hoje, a dita casa ficava na beira da lagoa, o
lugar donde nasci, a dita casa ficava na beira da
estrada.
Casa grande de adobe, calçada de pedra, não tinha
o cimento o piso era de chão batido, pois o cimento
era para os ricos e o meu pai não era um homem de
muita posse.
A dita calçada de pedra tinha enormes lajes que era
muito bem colocada cobrindo toda a calçada de fora
a fora, uma maravilha para se sentar, eu costumava 
fazer isso com frequência. Principalmente nas noites
de lua cheia quando todos da casa sentava na calçada
para contar histórias, era uma maravilha escutar essas
histórias.
Muito bem, por volta de 1965 com 5 para 6 anos, eu
lembro bem de uma figura fantástica que quase todos
os dias passava lá em casa para beber café e poder
prosear com o meu pai. Essa figura era um homem 
muito importante da cidade, comerciante, político, o
homem chamava Gentil Vieira, uma figura muito boa
e importante.
O Gentil Vieira tinha uma fazenda num lugar muito
importante, essa fazenda era chamada de cerca de
burro, a dita fazenda ficava na estrada do grama, um
povoado muito importante  em Paramirim, o recanto
donde nasci.
Ainda menino, repito, com 5 para 6 anos ficava a
sua espera, eis que de repente ele aparecia montado
no seu cavalo baio, parava ao lado da calçada, descia
do cavalo e amarrava o dito cujo num mourão que o
meu pai colocou ao lado da calçada. Eu ficava feliz
em ver aquele belo alazão cuja a sela tinha uma
linda estrela de prata, a dita cuja brilhava ao sol com
muita frequência.
Eu ficava maravilhado vendo tudo aquilo, coisas que
só as crianças sentem na sua inocência, enquanto isso
o Gentil Vieira coloca a prosa em dia com meu pai a
tomar um cafezinho fresco.
Depois do café aproveitava para o rapé que meu pai
fazia para o seu uso no dia a dia, rapé cheiroso pois
continha bonina. 
O meu pai fazia o próprio rapé que usava, comprava
o fumo de rolo na feira que funcionava na praça da
Matriz de anto Antônio, a dita feira era nos dias de
sábado.
Lá de fora ouvia-se as rizadas quando a história era
engraçada, só depois o Gentil Vieira batia em retirada
rumo à sua fazenda na cerca de burro, donde criava 
muitas cabeças de gado.
Lembro-me bem de todas essas passagens, que bom
rever tudo isso, passa na mente como se fosse um
filme, a velha e boa infância que há muito ficou para
trás.
Vai se lhes pra mais de sessenta anos, mas a memoria
continua fresca, novinha em folha, brilhando como as
estrelas no infinito, é isso que nos faz resistir firme os
ataques dessa modernidade. Como tenho dito, ainda
não me acostumei com essa modernidade, prefiro as
coisas do passado, fico mais feliz com essas doces
lembranças.
Mesmo que essas lembranças há muito ficaram para
trás, não importa, o importante que elas estão vivas
na minha cachola, quando bate a saudade é só folhar
as paginas da mente e lá estão elas. Não importa que
foi anos atrás, o importante é o que vi e vivi coisas
que nos fizeram feliz, e tudo isso não tem preço, não
se pode esquecer de tudo isso.
Vale ressaltar que, infeliz do homem que não tem
uma história para contar, um passado para orgulhar
se, quando isso acontece equipara-se a uma folha
seca que vaga ao sabor do vento sem rumo nem
direção.
Quanto à modernidade? que venha! vou enfrentar
a dita cuja de frente, sem medo, mesmo que caindo
e levantando haverei de labutar até o final, eis que
como um saudosista não desisto nunca, quem sabe
um dia haverei de acostumar-me.
Às vezes tento esconder aboletando-me em casa
por dias seguido sem sair, vos confesso que tudo
isso não é legal, porque fico distante dos amigos,
mas por outro lado não arrumo encrenca com 
ninguém.
Já que nesses tempos moderno volta e meia tem
arranca rabo por onde você anda, às pessoas estão
sem paciência brigam por qualquer coisa isso não
é bom, a boa convivência é bem melhor do que o
confronto.
Eu que já tive vários amigos, vejo que esses estão
ficando escassos pois muitos deles já se foram, não
estão mais entre nós, muitos deles nos deixaram, a
saudade é grande.
Já não tem mais com quem bater um bom papo, a
solidão nos assola sem dó nem piedade, é muito
difícil ter que conviver com tudo isso, o sujeito tem
que ter o devido preparo. Como escritor, poeta, não
sinto tanto esses intempéries pois faço uso do meu
pensamento para superar tudo isso apelando sempre
para a memória.
Um dos grandes problemas que enfrentamos não é
ficar em casa, mas ficar sem saber o que se passa, o
isolamento nos deixa sem saber das coisas, às vezes
só ficamos sabendo das coisas dias depois do
ocorrido.
Esse é um dos problemas do isolamento, mas temos
que acostumar com tudo isso, é o preço que se paga
pelo isolamento, não se pode ganhar tudo, afinal, o
perde e ganha é constante.
O mais triste da modernidade é ver que todos estão
envolvido com um tal de celular, vivem com a cara
enfiada nessas telas e nem se quer nos dão atenção,
isso é triste.
A essas alturas da vida já não tem muito o que 
perder, o que vier é lucro, não tenho muito do que
reclamar, há muito a vaidade ficou para trás, isso é
um alento.
No silêncio da meia noite, pois é nessas hora que 
gosto de escrever é mais tranquilo não tem quem
nos atrapalha, é só você, a caneta e o papel, tudo
fica mais fácil.
É nesses momentos de tranquilidade que faço
uso dos alfarrábios da mente para voltar no tempo
rever tudo aquilo que vivi e que nos trás um certo
alento a já tão conturbada alma. Tudo isso é muito
importante para nós, parece simples mas é muito
importante, é o que nos mentem firme na nossa
labuta para sobreviver os tempos modernos sem
ficar tanto para trás.
Além do mais, não ficamos tanto isolado, tem um
tal computador que sabendo usar é bom, ele nos é
útil quando é bem usado, deixando de lado as tais
fake News, as mentiras, se aproveita muitas coisas
boas.
Eu que não sou bobo nem nada, aproveitei o meu
Blog para colocar os meus 5 Livros de poesias para
os leitores ler, pois não tenho dinheiro para pagar 
uma Editora para editar os Livros. Quem quiser ler
é só ir no meu Blog que terão a oportunidade de 
ler as poesias que esse humilde poeta escreve, para
mostrar o que pensa.
Não sou pretencioso, não, longe disso, quero tão
somente deitar ao papel o que a mim vem por via  
do coração, tudo aquilo que vejo, sinto e penso, 
nada mais que isso.
O meu Blog é (Raimundo Sucupira o Poeta) é só ir
no Google e fazer a busca logo os amigos e amigas
terão acesso ao Blog.
Cá pra nós, fazendo uso da sabedoria e do bom 
senso se pode conviver bem com a modernidade,
o passado e o presente pode muito bem conviver
sem atritos, é uma questão de ponto de vista, da
maneira que encaramos tudo isso. Paz e bem......


Raimundo Sucupira






terça-feira, 28 de julho de 2026

MULUNDU

Tinha um mulundu na
beira da estrada,
na beira da estrada tinha
um mulundu.
O mulundu não quer 
dizer Nada,
é tão somente mais um
mulundu.
Tinha um caminho a
seguir, 
tinha uma estrada a
percorrer.
Não se sabe o que há
por vir,
se vai viver ou se vai
morrer.
Tinha um sonho para
sonhar,
uma vida para se
Viver.
Tinha uma história 
para contar,
tinha um amor para
Reviver.
Tinha uma poesia para
Mostrar,
um conto para 
Escrever.
Um coração para que
possa Amar,
um grande amor para
Viver.

Por Raimundo Sucupira

LEMBRANÇAS

 

Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, as lembranças que guardamos são coisas que
nos mantem preparados para enfrentar tudo que
nos acontece no mundo moderno, são elas que nos
faz, digamos,  sofrer menos os impactos dessa que
nos acossa que é a modernidade.
Pois a modernidade é algo que vai nos lapidando o
tempo todo, comendo pelas beiradas, é uma coisa
que não podemos evitar, assim como o passar do
tempo.
É por essas e outras que este poeta, saudosista tem
aguentado firme essa tal melancolia que tanto tem
nos assombrado nesse mundo moderno.
vos confesso que passado mais de sessenta anos eu
ainda não me acostumei com certas coisas que tem
nos aparecido.
São coisas que são inevitáveis, que não podemos 
evitar, pois não somos ainda senhores do tempo, o
tempo é uma das coisas cujo o humano não tem 
poderes para controla-lo, o criador não lhes deu tal
poder.
Dia desse ao ligar o computador dei de cara com 
uma cena engraçada, um cidadão parou o seu carro
diante da sua casa, entrou para dentro deixando o
dito carro em frente à casa. Isso aconteceu numa
rua da cidade de São Paulo, em um dos bairros, foi
lá na cidade grande. Não demorou muito e logo
apareceu um desavisado que ia para uma carreata e
parou o carro logo atrás do carro parado em frente
à dita casa.
A fila começou a ficar grande, quase dobra o
quarteirão, alguns motoristas ficaram impacientes,
começaram a buzinar, eis que de repente o cidadão
que tinha parado o carro em frente à sua casa saiu
pegou o carro batendo em retirada.
Todos ficaram sem entender nada, foi ai que um 
deles descobriu que tinha parado no lugar errado
e que a fila da carreata era em outro lugar, foi
aquela choradeira. Ao ver aquela cena cômica não
pude deixar de voltar no tempo, mais precisamente
em 1979.
Em 1979 com apenas 17 anos já sonhando em ir
à cidade grande, pude realizar esse sonho partindo
para a cidade de São Paulo vindo a trabalhar num
restaurante. O dito restaurante chamava Buffet
Salviano, era de propriedade de um Português, a
sede do tal restaurante ficava na Avenida nossa
Senhora do Sabará. 
No meu primeiro dia de trabalho fui
mandado para a filial do restaurante que ficava
numa rua do centro, na rua 15 de novembro, o
dito restaurante ficava no banco de Londres, um
banco estrangeiro.
Para ser sincero, faz tanto tempo que já não sei se
o dito banco ficava na rua 15 de novembro ou na
rua direita, que os amigos e amigas me corrija se
possível.
Pois bem, lá fui eu às seis da manhã, desci da
condução, num ponto que ficava no parque Dão
Pedro, onde o ônibus da CMTC parava desci ali 
peguei a rua direita na esquina tinha
uma loja, na frente da dita loja tinha uma bela
vitrine.
Em frente à dita vitrine tinha um manequim, um
manequim feminino, uma bela moça, passei e 
cumprimentei a dita moça, vi que a dita moça 
não respondeu. Pensei comigo, será que ela não
me ouviu! no outro dia passei novamente às seis
da manhã lá estava a dita moça, porém com as
vestimentas diferente. Não me fiz de rogado, lhes
cumprimentei novamente, bom dia moça! nada! 
ai fiquei muito sentido, pensei comigo, que moça
mal educada!
Lá no sertão da Bahia, em Paramirim não tem
disso não! as pessoas são educada! quando a gente
cumprimenta responde! e essa não me respondeu!
que coisa feia! fui para o restaurante aperreado e
inconformado. 
Já no restaurante conversando com os colegas eu
contei o ocorrido, dizendo, naquela loja que fica
na esquina tem uma moça muito bonita! mas ela
é mal educada! Um dos colegas indagou-me, qual
moça? eu respondi, a que fica na frente da loja! 
ele indagou-me, ela fica dentro da cabine? disse
sim! então você cumprimenta aquela moça? disse
sim! o colega tu cumprimentou um manequim não 
uma moça seu boboca! foi aquela gozação, fiquei
vários dias sendo gozado pelos colegas.
Daquele dia por diante aprendi uma lição, antes
de fazer ou falar algo nós devemos medir as
consequências, jamais fazer as coisas no escuro,
ou seja, sem pensar.
Devemos pensar bem antes de se empolgar com
uma mulher bonita, fazendo uso de um velho
chavão que os antigos diziam( Nesse mundo
nem  tudo que reluz é ouro) Às vezes nem tudo 
que os olhos ver é verdade.
Cinquenta anos depois daquele dia, lembrando
do fato engraçado em que vivi fico a pensar, se
cada um de nós não errasse como a nossa vida
seria enfadonha. Por incrível que pareça são
os nossos erros que nos faz crescer, não só os 
acertos, como diz o ditado, é vivendo que se
aprende.
Aquele rapaz com apenas dezessete anos que foi
em busca do seu sonho na cidade grande teve a
oportunidade de aprender muitas coisas, aprendi
que nem sempre aquilo que vemos é de verdade.
Que não devemos focar só no bonito, pois quem
aprecia o feio bonito lhes parece, trocando tudo 
em miúdos, é bom pensar muito antes de fazer
ou falar algo.
Depois daquele dia nunca mais faço ou falo 
algo antes de averiguar se devo ou não fazer, se
devo ou não falar, aprendi que às vezes o
silêncio é mais importante do que o maior dos
discursos.
Nunca gostei de falar muito, prefiro ouvir, isso
não significa que sou tímido, porém prudente, o
tempo nos ensinou que, tem certos preceitos que
não abro mão. O caráter, o valor da palavra, a 
verdade, tudo isso são preceitos que aprendi na
infância com meus pais e que faço questão de
seguir ao pé da letra.
Aquele matuto que saiu de Paramirim sertão da
Bahia  com apenas dezessete anos, depois de
muita peleja aprendeu o bastante para viver uma
vida regrada, dentro da Lei e da ordem, jamais
fora dela.
Sabemos que nem tudo nessa vida é perfeito, no
entanto, sempre buscamos a perfeição, o bom e 
o melhor. Tudo isso não quer dizer que queremos
ser melhor que os outros, não, nada disso, o que
queremos é fazer as coisas direito, isso não quer
dizer que nós somos melhor que os outros nem
tão pouco pior.
Como filhos do mesmo Criador sabemos que
somos todos iguais fisicamente, no entanto, no
tocante ao pensamento cada um pensa diferente
uns dos outros.
É isso que faz do ser humano a maquina mais
perfeita do mundo, não tem outra igual, somos
os únicos que tem o poder de raciocinar, por 
tanto, de separar o certo do errado, o bom do
ruim, o bem do mal, a paz da guerra, a vida da
morte, o amor do ódio, a verdade da mentira. É
isso que faz a diferença num momento em que
a sociedade precisa como nunca da afabilidade
e compreensão de cada um de nós. Que cada um
faça a sua criteriosa reflexão sobre esse assunto
para que ao final todos possam construir uma 
sociedade próspera e justa para os nossos filhos
e netos, é o que todos sonhamos na nossa longa
e penosa caminhada.
Passado 50 anos daquele fato engraçado que nos
aconteceu em São Paulo, fico a pensar, o quanto
o tempo passa, aquele jovem cheio de sonhos, a
vontade de vencer na vida, tudo aquilo ficou pra
trás.
Aquela energia, garra, vontade de vencer, tudo
ficou para trás, a vaidade, essa foi a primeira a
ter o seu final, agora a luta é outra, é a luta para
manter-se vivo.
Há essas alturas o que vier é lucro, não temos
mais tantas ambições, não pense que eu sou um
pessimista sou apenas um realista que nunca
gostou de viver de ilusões. Como um sertanejo
arretado que sempre fui prefiro lidar com a
realidade, jamais com as suposições, se e para
fazer, vamos fazer logo, hoje, nunca deixar pra
depois.
É por essas e outras que decidir voltar para o
meu estimado sertão de onde jamais deveria 
ter saído, pois foi aqui que nasci e aqui que eu
quero morrer. 
Por que sulcar, porém, tão imenso oceano de
superstições ainda que os céus me houvessem 
dado, jamais haveria de conquistar tudo aquilo
que sonhei.
No meio de todas essas loucuras, ergue-se um
sábio importuno proclama estas verdades, tão
somente para viver sabiamente o que ainda
lhes resta nessa vida. Percorrendo com grande
rapidez as diferentes frente de batalhas, não
nos esquecemos dos que, possuidores dos 
costumes e das inclinações para a gula jamais
a contemplei.
Dir-se-ai que esperam desfrutar essa pompa 
quando estiver no ataúde, de nada valeria a
vaidade que se tem, na verdade, o que vale
mesmo são as boas ações que fizermos nessa
nossa caminhada.
Não foi somente aos indivíduos que a natureza
distribuiu o feliz dom do amor próprio, cada
cidadão, cada nação recebe o seu quinhão da
parte do Criador. 
Tudo no mundo é tão obscuro e variável que 
impossível se torna conhecer seguramente o
que quer que seja, como fizeram notar os que
acreditam na modernidade.
Esses filósofos julgam conhecer uma coisa é
quase sempre à custa da vida, enfim, o
homem é feito de tal modo que nele causam 
muito maior impressão as ficções do que a
realidade.
É por essas e outras que sempre preferir ter
os pés no chão, como cidadão, como escritor,
poeta, só deito ao papel o que a mim vem do
coração, jamais a invencionice, a ficção, tudo
pela verdade, nunca pela mentira.
De modo que, essa é a trajetória daquele que
sonhou com uma vida melhor e que não teve
a oportunidade de conquistar tudo aquilo que
sonhou, mas que ama tudo que tem, sem ter a
cobiça pelas coisas dos outros. Paz e bem......

Raimundo Sucupira










terça-feira, 21 de julho de 2026

HORA

 Quem come o
filé,
tem que roer o
osso.
Caça que derruba
mundé,
vai para o fundo
do poço.
Não se faz um
omelete,
sem quebrar o
ovo.
Aquele que
reflete,
não erra de
novo.
Tudo que
sobe,
um dia desce.
Quem é
pobre,
um dia 
enriquece.
Tudo tem seu
dia,
sem contar com
a hora.
Quem não
sabia,
vai ficar sabendo
agora.

por Raimundo Sucupira
 
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