terça-feira, 25 de agosto de 2026

TRAIÇÃO

 Nesse mundo tem 
de tudo,
é vivendo e
aprendendo.
Tem quem se faz de
mudo,
tem quem sai se
vendendo.
Essa é uma grande
verdade,
que não se pode
negar.
Tem quem por pura
maldade,
o seu pais quer
entregar.
Tudo isso esta bem
claro,
só não ver quem não
quer.
Essa gente sem 
preparo,
o seu pais quer
vender.
Está na hora da
reação,
não se pode ficar
calado.
Essa gente sem
noção,
tem que ser bem
enquadrado.

por Raimundo Sucupira

SEM MORAL


 Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, não tem algo mais degradante que a vida de um
Cidadão cuja a moral é duvidosa, que não presa por
este Preceito de suma de suma importância para um
homem em meio à sociedade.
Algo que não se compra, coisas que vem do berço,
exemplo que não se adquire em meio à sociedade, 
mas no seio da família, pois os pais são o espelho
para os seus Filhos e filhas.
É no seio da família que se aprende coisas que em
meio à sociedade não se aprende, coisas que só os
pais que nos ensina.
Eu sou a prova viva desses ensinamentos, pois até
os dias de hoje preservo tudo aquilo que meus pais
ensinaram-me lá atrás, na minha saudosa infância e
que inda preservo.
Faço questão de deixar isso bem claro, jamais irei
abrir mão disso, haverei de preservar tudo isso até
o dia em que sair de cena.
Tenho, ainda hoje, convicções de que nessa minha
observância persistente que o segredo feliz, não só
das minhas experiências como escritor, poeta, como
também da Realidade em que vivemos.
Vemos com muita tristeza que, a cada dia que passa 
 as  pessoas vão ficando mais distante desses grandes
preceitos, o caráter, a moral, a palavra, o respeito, o
bem comum, tudo isso com o passar dos anos vão
ficando de lado. Com a chegada das tais redes sociais
tudo ficou visível, a falta de respeito para com os seus,
já não se tem mais diálogo entre as pessoas dentro de
casa, é cada um no seu celular e que se dane os outros.
Em tão breve trajeto cada um há de
acabar a sua tarefa, com que elementos? Com os que
herdou, e os que cria. Aqueles são  parte da mãe
natureza, estes, a do trabalho que dignifica o homem
e a mulher. Mediante a todas essas minhas criteriosas
Observâncias faço uso das palavras de um grande
intelecto, ele sempre dizia nas suas falas em meio à
sociedade ( A parte da natureza varia ao infinito. Não
há, no universo, duas coisas iguais, muitas se parecem
umas às outras. Mas todas entre si diversificam. Os 
ramos de uma só árvore, as folhas da mesma planta, 
os traços de uma polpa de um dedo humano,
as gotas do mesmo fruído, os argueiros do mesmo pó,
as raias do espectro de um só raio solar ou estrelar. 
Tudo assim, desde os astros, no céu, até os micróbios
no sangue, desde as nebulosas no espaço, até aos 
aljôfares do rocio na relva dos prados. A regra da 
igualdade não consiste senão em quinhoar
desigualdade aos desiguais, na medida em que se
desigualam. Nessa desigualdade social, 
proporcionada à desigualdade natural, é que se acha
a verdadeira lei da igualdade.
O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da
loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a
desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante
e não igualdade real.
Os apetites humanos concebam inverter a norma 
universal da criação, pretendendo, não dar a cada um,
na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos,  
como se todos se equivalessem) Diante da degradação
da Moral e dos bons costumes, de tudo que sustenta à
sociedade, pois a sociedade para se manter de pé é
preciso que se cumpra alguns requisitos, dentre eles o
respeito às Leis.
Todos estamos vendo o que se passa no pais, o nosso
Judiciário que é o guardião da Constituição está sob
ataque, um grupo de extrema direita fascista que faz
uso do santo nome de DEUS em vão, da família, do
Patriotismo, coisa que não é verdade, pois o que 
eles fazem é exatamente o contrário. Esse grupo que
é nefasto faz de tudo para semear o ódio, o medo em
meio à sociedade, o negacionismo é o seu lema, eles
vão de encontro a tudo que diz respeito ao bem
Comum.
Para eles o quanto ruim melhor, eles se 
deleitam com a desgraça dos outros, imagine o que
eles fizeram, os seus representantes os deputados e
senadores em pleno congresso nacional fizeram uma
verdadeira festa para comemorar as queimadas que 
estão acontecendo no Brasil e que tem o dedo dos que
lucram com a devastação da natureza.
Eles estão torcendo para o Brasil pegar fogo, fazem
a maior festa por conta dos incêndios, e ainda tem a
conta dos Incêndios, e ainda tem a cara de pau em 
dizer que são patriotas.
Essa mesma gente, esse mesmo grupo cometeram a
pachorra em ir aos Estados Unidos para apoiar as tais
tarifas que o Trump impôs ao Brasil, o filho do líder
foi morar lá só para tramar contra o pais.
Agora o que é candidato à presidência foi lá dizendo
que iria entregar as nossas terras raras, que tudo seria
entregue se fosse eleito presidente. Esse mesmo grupo
nas suas manifestações faz questão de ostentar a 
bandeira dos Estados Unidos e de Israel como se fosse
mais importante do que a nossa.
Não da para entender como um grupo de fascistas que
querem entregar o nosso pais aos Estados Unidos tem
o apoio de muita gente, isso não entra na cabeça de um
cidadão de bem que ama seu pais.
Com mais de 48 anos de vida pública é a primeira vez
que vejo isso acontecer, nem no tempo da ditadura vi
isso acontecer, como uma pessoa que se diz patriota 
tenta entregar o seu pais.
E o que é mais grave, com o apoio de muita gente, os
que se diz cristãos, temente à DEUS, pessoas que estão
fazendo uso da fé alheia para promover o ódio, o medo,
a separação, tudo isso é surreal.
A hora da verdade esta chegando, a hora da escolha se
faz necessário, separar o joio do trigo, o bem do mal, a
verdade da mentira, os bons dos maus, isso não é difícil
é só fazer uso do bom senso, da responsabilidade. Essa
gente do mal não pode mais ditar regras, tentando vender
o nosso pais como se fosse miçangas cintilantes sem 
nenhum valor.
Só para lembrar aos desavisados, os que acham normal
o que esses falsos patriotas estão fazendo, ao tentar
entregar o nosso pais, lá nos Estados Unidos já vi gente
ir para a cadeira elétrica por bem menos que isso, é só ir
nos arquivos.
Não só nos Estados Unidos, mas em vários outros países
que presa pela sua soberania.
Eu só vejo isso aqui no Brasil, um grupo de traidores ter
o apoio de tanta gente, isso não entra na cabeça de quem
tem o mínimo de respeito pelo pais em que nasceu, em
que vive.
Por todos os lugares em que se anda se vê alguns deles a
ostentar as cores da nossa bandeira, o verde e amarelo, o
nosso orgulho, mas que devido a essas banalidades torna
se motivos de chacota.
Mesmo assim eles continuam a semear essa semente do
mal em meio à sociedade, corroendo a mente de muitos
desavisados que estão embarcando nessa canos furada e
não se dão conta do enorme perigo que essa gente do mal
representa.
A mídia que deveria alertar a população desse perigo não
fala nada, estão mudos no tocante a esses aloprados, nada
falam, muito pelo contrário, tem muitos jornalistas que
apoia o que eles faz.
Tem grandes emissoras por trás deles lhes dando suporte,
pois quase todas estão em mãos dos empresários da tal
faria lima, para ser mais claro, a mídia brasileira foi parar
nas mãos dos empresários.
Para se ter a dimensão da bramura, até os institutos que
faz as tais pesquisas foram comprados por esses grandes
empresários, só fazem o que eles querem, o que lhes
interessa a maioria dessas tais pesquisas são forjadas, o
resultado é o que eles querem que seja dito para tentar
enganar o povo.
O que é mais triste ainda é ver que tem muita gente que
apoia tamanha desventura, tamanha falta de respeito ao
nosso pais, à nossa soberania, é preciso dar um basta 
nessa falta de respeito ao nosso pais, a nossa soberania.
De modo que, cabe à sociedade a missão de por um
final nessa onda de negacionismo, de ódio, de medo, de
mentiras, que vem causando tanto mal ao pais, e que não 
nos levará a lugar algum, só nos causará o mal, tudo isso
tem que ter um final. Que o bem acabe por vencer o mal,
é isso que nós esperamos. Paz e bem....

Raimundo Sucupira

terça-feira, 18 de agosto de 2026

PAPEIS

 Uma caneta na
mão,
uma história na
cabeça.
A voz do
coração,
que a tristeza
desapareça.
A vida de um
poeta,
não é uma
brincadeira.
Joga fora o que
não preta,
não escreve
besteira.
Não gosto de
inventar,
só escrevo o
que penso.
Eu tenho que
vos falar,
a verdade não
dispenso.
A minha poesia
é clara,
não goto de
rapapés.
Ao ler ela sé
acalma,
esta deitada aos
papéis.

por Raimundo Sucupira

TREM DE RISCO

 

Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, contar uma história é bem melhor do que viver
na expectativa do que vai vir no presente, pois não 
sabemos o que vai vir, a história não, já aconteceu,
nós já vivenciamos.
Como já vos contei antes, na crônica passada, dessa
vez vou lhes contar mais uma das inúmeras que nós
ouvimos na nossa ida à casa do seu Zé de Leoncio
na aldeia do Cafundó.
Trata-se de uma figura muito engraçada, ele fala de
uma maneira única, nunca vi alguém falar como ele
em Paramirim, é único, é muito engraçado ouvir ele
falar.
Para os que não se lembram da história que contei
na crônica passada eu contei a história do talão de
cheque que o seu Zé nos contou, dessa vez contarei
a da visagem.
Muito bem, vamos à história, contava-me ele, uai
seu Remundo! esse causo é cabeludo! medonho! o
caso é cabuloso por demais sô! conta logo seu Zé!
que história cabulosa e essa? pois é seu Remundo!
não sei se conto não! conta seu Zé! louco para que
o dito cujo contasse logo! pra minha tristeza pegou
uma binga, precisamente um boga, para os que não
conhece a boga é um isqueiro muito usado na roça
para acender o cigarro de palha ou o cachimbo para
pitar.
A boga é feito do chifre de boi, ou de cabra, corta se
o chifre coloca uma bucha de algodão dentro do
chifre soca bem socado, corta um pedaço de lima, e
um pedaço de pedra fígado de galinha, a pedra que
estou falando é uma pedra marrom muito parecida
com o fígado de galinha.
Faz uma tampinha com um pedaço de cabaça e o
amigo tem uma boga pronta para fazer fogo, tudo
isso sem precisar fazer uso do combustível, muito
menos energia.
Muito bem, só depois que pegou o fumo e a palha
na algibeira da calça de algodão riscado que vestia
e cortado o fumo e a palha de milho, feito o cigarro
acendido o dito cujo ele não voltou ao assunto, ou
seja, a história.
Depois de uma longa baforada, saindo uma fumaça
dos diabos, o dito cujo não falou nada, já atordoado
com aquele fumacê ele resolveu contar a história tão
esperada.
Colocando o cigarro num lado da boca começou, o
senhor num acredita! a coisa é medonha sô! foi na
noite de lua cheia! na quaresma! o azeite que a muiê
colocava da candeia tinha pifado! ai eu fui buscar o
tá azeite na venda na Tabua! fui no quintá! peguei a
mula baia que costumava montá! a danada comia no
munturo! fui lá! passei a corda no pescoço da mula
trazendo a danada pro terreiro! botei o arreio! o meu
emborná! passei a perna na danada e rumei pra dita
venda! há seu Remundo! nem te conto! não demorou
e foi uma ribuzana danada! logo que cruzei o riacho
a mula começou a rifugar! a danada queria por que
queria me jogar no chão! tive que partir pra destreza!
sapequei o pé no subaco da danada! a danada tinia o
dente! e eu em cima! seguro na corda feita de caruá!
essa não faia nunca! aguenta firme! num quebra! não
nega fogo! depois de muita labuta! a danada pegou o
rumo! ai eu pensei que a coisa tinha acabado! há seu
Remundo! nem ti conto! na vorta grande! perto da
pedra do sino! a coisa piorou! ficou cabulosa! o 
animá oio pra frente! quando eu oiei também eu
vi uma coisa do outro mundo! bem no meio da dita
estrada uma livuzia! a dita cuja era redonda! não se
via perna! nem tão pouco cabeça! um trem do outro
mundo! pensei cum migo! é hoje que a égua  corre
cum a sela! o cabuloso fungava de lá! e a mula
fungava de cá! e eu em cima da danada recorrendo
as oração! no lado da estrada tinha um mulundú! a
livuzia correu pra cima do tá mulundú! roncando 
feito barrão inteiro! uma tribunaza que nunca tinha
visto! a essas artura a mula  já tinha se acarmado um
pouco! mas ainda tava arisco! meti o pé no vazio
da mula! a danada arribou o cabo e pernas pra que
ti quero! só foi parar na frente da venda! ai eu tive
que contá o ocorrido pros amigos que tava na venda
queimando a guela! foi uma bramura dos diabo! foi
grande o alarido! o cumpade migué que tava lá disse
cumpade nois vamo junto! bateu a mão no colino
marté que tinha na cintura! o dito cujo tava amolado
feito navaia! nois vamo pegar o mardito! ele vai vê 
cum quanto pau se faz uma cangaia! vai aprender a
respeita um cabra retado! eu disse pro cumpede! uai
cumpede! num precisa não! eu dô conta disso! uai!
num precisa o cumpade se apoquentá! num precisa
não! pequei o lata cum a querosene amarrei na sela
e passei a perna voltando sem demora, pois a Zifa
tava quase no breu! a carreira foi grande! quando
cheguei no dito lugar! esperando dá de carta com a
livuzia novamente! qual nada! nem sombra na dita
cuja! nem o animá se deu conta! foi uma toada só!
passamo ligeiro! sem oia pra trás! uma toada só! o
riacho ficou logo pra trás! não demorô e escanchei
no terreiro! pequei o emborná cum a lata de
querosene entrando aos borbotões para vê se tava
tudo bem! a Zifa ficou agastada cum aquela gastura
da minha parte indagando! o que tu tem home! tu
viu um trem do outro mundo! hum! o pior é que vi
mermo! ai seu Remundo! catei a Zifa levando pro
canto escondido dos menino e contei o ocorrido! a
Zifa foi direto pro oratório fazer as oração! dizendo
pra mim pode de ser a tá mula sem cabeça! nois
tamo na semana santa home! foi ela! a dita cuja! o
aviso foi dado! não se deve sai de casa nessa época!
tem que respeitá! pelo sim pelo não! não andei mais
de noite! só durante o dia! até que acabou o tempo
da quaresma! desse dia pra cá nunca mais andei a
noite no tempo da quaresma seu Remundo! aprendi
essa lição! essa foi a história do trem que eu e a
mula topamos de frente! ai vendo que a história já
tinha findado, percebendo que ele tinha falado de
dona Zifa lhes indaguei onde está a dona Zifa seu
Zé? foi logo dizendo há seu Remundo! nem lhe
digo! a Zifa viajou! uma viagem demorada! ela foi
pro Paraná! tem um fio nosso o do meio! que foi
morá lá! bem longe de nois! lá casou e já tem uns
fios! ai a Zifa como ele não quis mais vortá a zifa
foi lá vê eles! ai eu tô por aqui se virano! não posso
sai pra nada, a criação tem que ser cuidada! não é
bom tudo mundo sai de uma vez não é mermo? eu
tive que concordar.
Foi ai que lembrei-me do café que ele fez da outra
vez que vim aqui, a dona Zifa já tinha viajado, ele
estava só na ocasião.
Com o material farto em mãos parei de filmar, não
precisava de mais nada, já tinha o material que eu
precisava. Dessa vez não esperei ele me oferecer o
café pois sabia que ele estava só em casa, eu não
queria lhes dar esse trabalho. ao ver que a hora era
alta despedi-me dele prometendo voltar depois pra
mais um dedinho de prosa e ouvir mais uma bela
história. Dado que, essa foi mais uma das histórias
que ele nos contou e que estou a lhes contar agora,
lhes prometo contar mais algumas que ainda tem e
que vos contarei na próxima vez. Paz e bem...........

Raimundo Sucupira



terça-feira, 11 de agosto de 2026

RAZÃO

 Tudo nesse velho
 mundo,
tem a razão de
ser.
No fundo do
fundo,
todos tem que
saber.
Não sé pode 
dizer,
que tudo esta
errado.
Não sé pode 
aprender,
sé não nos for
ensinado.
Tudo tem o eu
dia,
sem contar com
a hora.
Aquele que não
sabia,
fica sabendo
agora.
Não se pode
dizer,
que a vida é
ruim.
O que é bom
pra você,
poderá não ser
pra mim.

por Raimundo Sucupira



CAMADA DE PAU

 

Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, a história é uma das coisas mais importante 
da vida de um homem e de uma mulher, pois essa
significa tudo que aconteceu em nossas vidas, isso
não tem preço.
É por pensar dessa maneira que faço de tudo para
preservar a minha história, a minha memoria, tudo
que já me aconteceu no passado.
É por essas e outras que abracei esse projeto de
contar as inúmeras historias que aconteceu nessas
bandas do meu sertão. Devido às bramuras que 
vem acontecendo no mundo inteiro deixei de vos
contar essas histórias por um bom tempo, mas que
volto a lhes contar agora.
Dar para conciliar as duas coisas, por isso vou lhes
contar uma que me aconteceu nos tempos idos, lá
por volta dos anos 70 ainda na flor da idade, com 
10 para 11 anos.
A época mais bela e feliz da minha vida, coisas
que só agora muitos anos passado é que damos a
divida atenção.
Vamos aos fatos, ou seja, a história, o que ocorreu
naquela época, tudo sem tirar nem por, tão somente
a verdade dos fatos. 
Meu pai tomava conta de uma pequena fazenda da
minha tia que foi morar em São Paulo, ela era 
esposa de seu Nonô um dentista que morava aqui
em Paramirim. Pois bem, vamos a história, ainda
criança não trabalhava o único trabalho que fazia
era levar a comida para meu pai na roça ao meio
dia.
Meu pai tinha vários trabalhadores que fazia roça
com ele, dentre eles tinha um o Iozinho um sujeito
que comia uma agua das boas, mas que era um
sujeito muito trabalhador, plantava roça grande e
muito bem cuidada. Ele morava numa casa perto
da lagoa em frente à dita fazenda que meu pai
tomava conta, eu costumava brincar com um dos
seus filhos o Chico que era da minha idade, eu ai
lá brincar com ele. Naquela época não tinha agua
encanada nas casas nem energia elétrica nas casas
as pessoas tinha que buscar agua no rio ou na 
lagoa, a luz era na candeia.
pois bem, o pai do Chico mandou ele buscar agua
na lagoa e depois ir na venda de Salvador buscar 
querosene para colocar na candeia para iluminar 
a casa.
A dona Maria já tinha reclamado que a dita cuja
tinha acabado e precisava buscar na venda onde
tinha a caderneta.
Para os que não conhece a caderneta é uma conta
que só paga no final do mês, no interior ainda tem
a dita caderneta em certas vendas.
Como todo menino é atentado por uma boa
brincadeira, cheguei lá e chamei o Chico para
brincar e o Chico esqueceu de cumprir a tarefa
que seu pai lhes mandou fazer, jogava bolinhas
de gude ao terreiro na maior alegria, eis que de
repente chega o seu pai, ele parou em meio ao
terreiro e olhando para o Chico lhes indagou, a
tarefa que mandei você fazer você cumpriu? foi
buscar a agua na lagoa? foi buscar a querosene
na venda? o Chico respondeu não! porque você
não foi? respondeu esqueci! hum! Iozinho olhou
demoradamente para o Chico, depois  de olhar
bem para o Chico ele lhes indagou novamente,
tú é homem Chico? o Chico respondeu, não! e o
que tú é Chico? o Chico respondeu, moleque! ai
a madeira cantou no lombo do Chico, tá! tá! tá! 
tá! o cinto era daqueles de couro bem largo, o
Chico saiu com o coro quente.
O coitado do Chico desceu aos borbotões rumo
à lagoa sem olhar para trás eu fiquei meio sem
graça em meio ao terreiro com as bolinhas de
gude em mãos. 
A camada de pau foi tão grande que o Chico foi
dormi no mato naquele dia, desse dia em diante 
o Chico nunca mais deixou de cumprir as tarefas
para brincar.
Toda vez em que eu lhes chamava para brincar o
dito cujo falava depois que eu cumprir as tarefas
eu vou.
De vez em quando eu gozava dele e ele virava
uma fera, dizia é porque a surra não foi em tu
infeliz! era aquela gozação, o Chico era baixinho
atarracado, valente, corria atrás dos meninos a
xingar.
Depois de muitos anos trabalhando com o meu
pai o Iozinho foi embora para São Paulo nuca
mais voltou, passado mais de 50 anos ainda me
lembro dessa história, daquela gente, daqueles
amigos.
De vez em quando recolho-me num canto faço
uso das paginas da mente, revirando os
alfarrábios da mente e relembro de tudo aquilo
que aconteceu-me no passado, os amigos que
há muito não os vejo, bate uma saudade danada.
Travando uma longa e penosa peleja com essa
tal modernidade ainda não acostumei com essa
enorme perda.
A minha saudosa infância, tudo aquilo nos faz
tanta falta, só agora passado mais de 60 anos
vejo o quanto erámos felizes, que tudo aquilo
já não é mais possível, coisas que não voltam
mais. Precisava-se de tão pouco para ser feliz,
a simplicidade das coisas, mesmo assim se era
feliz, não existia essa tal melancolia, essa tal
correria, tudo era tranquilo, sem estresse, tudo
era calmo, tranquilo.
Agora nesses tempos modernos a coisa é bem
diferente, a correria, o estresse, já não se tem
mais tempo pra nada, tudo isso me é estranho,
não consigo acostumar-me com isso, não gosto
nada disso.
Como um bom saudosista prefiro aqueles 
velhos e bons tempos, era bem melhor, não era
corrido como agora, tudo era calmo, tranquilo,
era só paz e amor, cada um respeitava o tempo
do outro.
Agora não, a cobrança é grande, fica todo mundo
de olho um no outro, qualquer vacilo a cobrança
é certeira, a critica não demora a chegar, isso nos
deixa com a pulga atrás da orelha, às vezes não
fazemos algo por medo das criticas, com medo
de não agradar os outros.
Tudo isso acaba por atrapalhar a nossa vida, o
que acaba em fracasso, não por sermos fracos, 
mas por excesso de prudência, tudo para não ser
criticado.
Sem duvida tudo isso acaba por atrapalhar nossa
vida, depois das redes sociais isso ficou ainda 
pior, qualquer coisa que você faz ou fala logo
vem a enxurrada de criticas. Não se pode errar,
tudo tem que ser muito bem calculado, tudo tem
que ser muito bem feito. Fazendo uso de um
velho chavão( se correr o bicho pega, se ficar o
bicho come) o fato é que, não se pode vacilar, a
coisa tem que ser muito bem feita, quem erra é
fulminado. 
Tudo isso acaba por contaminar as pessoas, os
que queria fazer as coisas acaba por não fazer, o
medo das criticas não lhes deixa realizar certos
sonhos, o medo acaba por sobrepor aos sonhos.
Mas como sou teimoso, não desisto nunca, não
tenho medo das criticas, continuo a fazer o que
gosto que é contar histórias, mesmo sabendo o
risco que corro de receber criticas. Sei que tem
os que gostam e os que não gostam de ouvir as
histórias que contamos, no entanto, não vai ser
por conta de criticas que vou parar de fazer o
que gosto.
Por isso peço aos que porventura acham que é
demasiadamente o que faço, que tenha calma e
veja o lado bom das coisas, que ouvi uma boa
história de vez em quando nos trás um pouco
de alento a já tristonha e conturbada alma. Na
vida tudo tem que ser levado em consideração,
nada pode ser descartado, nem mesmo as 
criticas, pois elas poderão nos ajudar a rever
certos conceitos, ou seja, mudar para melhor o
que fazemos.
É por essas e outras que abracei esse projeto
em contar essas histórias que nos aconteceu no
passado, tudo isso acaba por dar uma pequena
contribuição para com a  sociedade moderna
que não conhece certas coisas. Nota-se que os
moços não conhece muitas coisas que para nós
no passado era comum, normal, mas que agora 
é novidade.
Assim como as coisas que acontece agora, na
modernidade são para mim estranha, coisas que
não consigo me acostumar, para esses moços o
que aconteceu no passado também lhes é
estranho.
O que é positivo em todo isso é que um acaba
por ajudar o outro, o velho e o novo um ajuda
o outro e ao final tudo acaba bem, todos ficam
felizes.
Vale ressaltar que, infeliz daqueles que não
tem uma história para contar, esse equivale a
uma folha seca que vaga ao vento do sem rumo
ou direção. Por conta disso que sempre lutei
para preservar essas memorias, esses preceitos
que fizeram parte de nossas vidas lá atrás e que
jamais poderá ser esquecido. Faço questão de
vos dizer que, a minha memoria é um arquivo
vivo, tenho muito o que contar, são muitas as
histórias que haverei de vos contar logo adiante
no momento oportuno.
Enquanto isso, vão curtindo essa do meu amigo
Chico, o menino que por conta da brincadeira
esqueceu de cumprir a tarefa que o pai lhes
confiou, que isso sirva de lição aos moços, as
obrigações vem sempre em primeiro lugar, as
brincadeiras vem depois. é assim que as coisas
funcionam.
De modo que, depois daquele acontecimento eu
aprendi uma lição, jamais deixar para depois o
que temos que fazer agora, nunca levei um cinto
no lombo, no máximo uma Carraspana, sempre
fui um menino obediente. Paz e bem.......

Raimundo Sucupira




terça-feira, 4 de agosto de 2026

MÁ CONDUTA

 Entre uma pinga 
e outra,
o pensamento.
A poesia nos
mostra,
a grandeza do 
momento.
Um poeta que se
presa,
não brinca com a
poesia.
Não escreve com
pressa,
nem tão pouco 
com hipocrisia.
O que vem do
coração,
é o que vai para o
papel.
Não importa o
refrão,
sé amarga feito
fel.
Na poesia se fala
do amor,
das coisas
maravilhosa.
Também se fala da
dor,
de muita coisa
misteriosa.      

por Raimundo Sucupira

 
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