terça-feira, 18 de agosto de 2026
PAPEIS
Uma caneta na
mão,
uma história na
cabeça.
A voz do
coração,
que a tristeza
desapareça.
A vida de um
poeta,
não é uma
brincadeira.
Joga fora o que
não preta,
não escreve
besteira.
Não gosto de
inventar,
só escrevo o
que penso.
Eu tenho que
vos falar,
a verdade não
dispenso.
A minha poesia
é clara,
não goto de
rapapés.
Ao ler ela sé
acalma,
esta deitada aos
papéis.
por Raimundo Sucupira
TREM DE RISCO
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, contar uma história é bem melhor do que viver
na expectativa do que vai vir no presente, pois não
sabemos o que vai vir, a história não, já aconteceu,
nós já vivenciamos.
Como já vos contei antes, na crônica passada, dessa
vez vou lhes contar mais uma das inúmeras que nós
ouvimos na nossa ida à casa do seu Zé de Leoncio
na aldeia do Cafundó.
Trata-se de uma figura muito engraçada, ele fala de
uma maneira única, nunca vi alguém falar como ele
em Paramirim, é único, é muito engraçado ouvir ele
falar.
Para os que não se lembram da história que contei
na crônica passada eu contei a história do talão de
cheque que o seu Zé nos contou, dessa vez contarei
a da visagem.
Muito bem, vamos à história, contava-me ele, uai
seu Remundo! esse causo é cabeludo! medonho! o
caso é cabuloso por demais sô! conta logo seu Zé!
que história cabulosa e essa? pois é seu Remundo!
não sei se conto não! conta seu Zé! louco para que
o dito cujo contasse logo! pra minha tristeza pegou
uma binga, precisamente um boga, para os que não
conhece a boga é um isqueiro muito usado na roça
para acender o cigarro de palha ou o cachimbo para
pitar.
A boga é feito do chifre de boi, ou de cabra, corta se
o chifre coloca uma bucha de algodão dentro do
chifre soca bem socado, corta um pedaço de lima, e
um pedaço de pedra fígado de galinha, a pedra que
estou falando é uma pedra marrom muito parecida
com o fígado de galinha.
Faz uma tampinha com um pedaço de cabaça e o
amigo tem uma boga pronta para fazer fogo, tudo
isso sem precisar fazer uso do combustível, muito
menos energia.
Muito bem, só depois que pegou o fumo e a palha
na algibeira da calça de algodão riscado que vestia
e cortado o fumo e a palha de milho, feito o cigarro
acendido o dito cujo ele não voltou ao assunto, ou
seja, a história.
Depois de uma longa baforada, saindo uma fumaça
dos diabos, o dito cujo não falou nada, já atordoado
com aquele fumacê ele resolveu contar a história tão
esperada.
Colocando o cigarro num lado da boca começou, o
senhor num acredita! a coisa é medonha sô! foi na
noite de lua cheia! na quaresma! o azeite que a muiê
colocava da candeia tinha pifado! ai eu fui buscar o
tá azeite na venda na Tabua! fui no quintá! peguei a
mula baia que costumava montá! a danada comia no
munturo! fui lá! passei a corda no pescoço da mula
trazendo a danada pro terreiro! botei o arreio! o meu
emborná! passei a perna na danada e rumei pra dita
venda! há seu Remundo! nem te conto! não demorou
e foi uma ribuzana danada! logo que cruzei o riacho
a mula começou a rifugar! a danada queria por que
queria me jogar no chão! tive que partir pra destreza!
sapequei o pé no subaco da danada! a danada tinia o
dente! e eu em cima! seguro na corda feita de caruá!
essa não faia nunca! aguenta firme! num quebra! não
nega fogo! depois de muita labuta! a danada pegou o
rumo! ai eu pensei que a coisa tinha acabado! há seu
Remundo! nem ti conto! na vorta grande! perto da
pedra do sino! a coisa piorou! ficou cabulosa! o
animá oio pra frente! quando eu oiei também eu
vi uma coisa do outro mundo! bem no meio da dita
estrada uma livuzia! a dita cuja era redonda! não se
via perna! nem tão pouco cabeça! um trem do outro
mundo! pensei cum migo! é hoje que a égua corre
cum a sela! o cabuloso fungava de lá! e a mula
fungava de cá! e eu em cima da danada recorrendo
as oração! no lado da estrada tinha um mulundú! a
livuzia correu pra cima do tá mulundú! roncando
feito barrão inteiro! uma tribunaza que nunca tinha
visto! a essas artura a mula já tinha se acarmado um
pouco! mas ainda tava arisco! meti o pé no vazio
da mula! a danada arribou o cabo e pernas pra que
ti quero! só foi parar na frente da venda! ai eu tive
que contá o ocorrido pros amigos que tava na venda
queimando a guela! foi uma bramura dos diabo! foi
grande o alarido! o cumpade migué que tava lá disse
cumpade nois vamo junto! bateu a mão no colino
marté que tinha na cintura! o dito cujo tava amolado
feito navaia! nois vamo pegar o mardito! ele vai vê
cum quanto pau se faz uma cangaia! vai aprender a
respeita um cabra retado! eu disse pro cumpede! uai
cumpede! num precisa não! eu dô conta disso! uai!
num precisa o cumpade se apoquentá! num precisa
não! pequei o lata cum a querosene amarrei na sela
e passei a perna voltando sem demora, pois a Zifa
tava quase no breu! a carreira foi grande! quando
cheguei no dito lugar! esperando dá de carta com a
livuzia novamente! qual nada! nem sombra na dita
cuja! nem o animá se deu conta! foi uma toada só!
passamo ligeiro! sem oia pra trás! uma toada só! o
riacho ficou logo pra trás! não demorô e escanchei
no terreiro! pequei o emborná cum a lata de
querosene entrando aos borbotões para vê se tava
tudo bem! a Zifa ficou agastada cum aquela gastura
da minha parte indagando! o que tu tem home! tu
viu um trem do outro mundo! hum! o pior é que vi
mermo! ai seu Remundo! catei a Zifa levando pro
canto escondido dos menino e contei o ocorrido! a
Zifa foi direto pro oratório fazer as oração! dizendo
pra mim pode de ser a tá mula sem cabeça! nois
tamo na semana santa home! foi ela! a dita cuja! o
aviso foi dado! não se deve sai de casa nessa época!
tem que respeitá! pelo sim pelo não! não andei mais
de noite! só durante o dia! até que acabou o tempo
da quaresma! desse dia pra cá nunca mais andei a
noite no tempo da quaresma seu Remundo! aprendi
essa lição! essa foi a história do trem que eu e a
mula topamos de frente! ai vendo que a história já
tinha findado, percebendo que ele tinha falado de
dona Zifa lhes indaguei onde está a dona Zifa seu
Zé? foi logo dizendo há seu Remundo! nem lhe
digo! a Zifa viajou! uma viagem demorada! ela foi
pro Paraná! tem um fio nosso o do meio! que foi
morá lá! bem longe de nois! lá casou e já tem uns
fios! ai a Zifa como ele não quis mais vortá a zifa
foi lá vê eles! ai eu tô por aqui se virano! não posso
sai pra nada, a criação tem que ser cuidada! não é
bom tudo mundo sai de uma vez não é mermo? eu
tive que concordar.
Foi ai que lembrei-me do café que ele fez da outra
vez que vim aqui, a dona Zifa já tinha viajado, ele
estava só na ocasião.
Com o material farto em mãos parei de filmar, não
precisava de mais nada, já tinha o material que eu
precisava. Dessa vez não esperei ele me oferecer o
café pois sabia que ele estava só em casa, eu não
queria lhes dar esse trabalho. ao ver que a hora era
alta despedi-me dele prometendo voltar depois pra
mais um dedinho de prosa e ouvir mais uma bela
história. Dado que, essa foi mais uma das histórias
que ele nos contou e que estou a lhes contar agora,
lhes prometo contar mais algumas que ainda tem e
que vos contarei na próxima vez. Paz e bem...........
Raimundo Sucupira
terça-feira, 11 de agosto de 2026
RAZÃO
Tudo nesse velho
mundo,
tem a razão de
ser.
No fundo do
fundo,
todos tem que
saber.
Não sé pode
dizer,
que tudo esta
errado.
Não sé pode
aprender,
sé não nos for
ensinado.
Tudo tem o eu
dia,
sem contar com
a hora.
Aquele que não
sabia,
fica sabendo
agora.
Não se pode
dizer,
que a vida é
ruim.
O que é bom
pra você,
poderá não ser
pra mim.
por Raimundo Sucupira
CAMADA DE PAU
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, a história é uma das coisas mais importante
da vida de um homem e de uma mulher, pois essa
significa tudo que aconteceu em nossas vidas, isso
não tem preço.
É por pensar dessa maneira que faço de tudo para
preservar a minha história, a minha memoria, tudo
que já me aconteceu no passado.
É por essas e outras que abracei esse projeto de
contar as inúmeras historias que aconteceu nessas
bandas do meu sertão. Devido às bramuras que
vem acontecendo no mundo inteiro deixei de vos
contar essas histórias por um bom tempo, mas que
volto a lhes contar agora.
Dar para conciliar as duas coisas, por isso vou lhes
contar uma que me aconteceu nos tempos idos, lá
por volta dos anos 70 ainda na flor da idade, com
10 para 11 anos.
A época mais bela e feliz da minha vida, coisas
que só agora muitos anos passado é que damos a
divida atenção.
Vamos aos fatos, ou seja, a história, o que ocorreu
naquela época, tudo sem tirar nem por, tão somente
a verdade dos fatos.
Meu pai tomava conta de uma pequena fazenda da
minha tia que foi morar em São Paulo, ela era
esposa de seu Nonô um dentista que morava aqui
em Paramirim. Pois bem, vamos a história, ainda
criança não trabalhava o único trabalho que fazia
era levar a comida para meu pai na roça ao meio
dia.
Meu pai tinha vários trabalhadores que fazia roça
com ele, dentre eles tinha um o Iozinho um sujeito
que comia uma agua das boas, mas que era um
sujeito muito trabalhador, plantava roça grande e
muito bem cuidada. Ele morava numa casa perto
da lagoa em frente à dita fazenda que meu pai
tomava conta, eu costumava brincar com um dos
seus filhos o Chico que era da minha idade, eu ai
lá brincar com ele. Naquela época não tinha agua
encanada nas casas nem energia elétrica nas casas
as pessoas tinha que buscar agua no rio ou na
lagoa, a luz era na candeia.
pois bem, o pai do Chico mandou ele buscar agua
na lagoa e depois ir na venda de Salvador buscar
querosene para colocar na candeia para iluminar
a casa.
A dona Maria já tinha reclamado que a dita cuja
tinha acabado e precisava buscar na venda onde
tinha a caderneta.
Para os que não conhece a caderneta é uma conta
que só paga no final do mês, no interior ainda tem
a dita caderneta em certas vendas.
Como todo menino é atentado por uma boa
brincadeira, cheguei lá e chamei o Chico para
brincar e o Chico esqueceu de cumprir a tarefa
que seu pai lhes mandou fazer, jogava bolinhas
de gude ao terreiro na maior alegria, eis que de
repente chega o seu pai, ele parou em meio ao
terreiro e olhando para o Chico lhes indagou, a
tarefa que mandei você fazer você cumpriu? foi
buscar a agua na lagoa? foi buscar a querosene
na venda? o Chico respondeu não! porque você
não foi? respondeu esqueci! hum! Iozinho olhou
demoradamente para o Chico, depois de olhar
bem para o Chico ele lhes indagou novamente,
tú é homem Chico? o Chico respondeu, não! e o
que tú é Chico? o Chico respondeu, moleque! ai
a madeira cantou no lombo do Chico, tá! tá! tá!
tá! o cinto era daqueles de couro bem largo, o
Chico saiu com o coro quente.
O coitado do Chico desceu aos borbotões rumo
à lagoa sem olhar para trás eu fiquei meio sem
graça em meio ao terreiro com as bolinhas de
gude em mãos.
A camada de pau foi tão grande que o Chico foi
dormi no mato naquele dia, desse dia em diante
o Chico nunca mais deixou de cumprir as tarefas
para brincar.
Toda vez em que eu lhes chamava para brincar o
dito cujo falava depois que eu cumprir as tarefas
eu vou.
De vez em quando eu gozava dele e ele virava
uma fera, dizia é porque a surra não foi em tu
infeliz! era aquela gozação, o Chico era baixinho
atarracado, valente, corria atrás dos meninos a
xingar.
Depois de muitos anos trabalhando com o meu
pai o Iozinho foi embora para São Paulo nuca
mais voltou, passado mais de 50 anos ainda me
lembro dessa história, daquela gente, daqueles
amigos.
De vez em quando recolho-me num canto faço
uso das paginas da mente, revirando os
alfarrábios da mente e relembro de tudo aquilo
que aconteceu-me no passado, os amigos que
há muito não os vejo, bate uma saudade danada.
Travando uma longa e penosa peleja com essa
tal modernidade ainda não acostumei com essa
enorme perda.
A minha saudosa infância, tudo aquilo nos faz
tanta falta, só agora passado mais de 60 anos
vejo o quanto erámos felizes, que tudo aquilo
já não é mais possível, coisas que não voltam
mais. Precisava-se de tão pouco para ser feliz,
a simplicidade das coisas, mesmo assim se era
feliz, não existia essa tal melancolia, essa tal
correria, tudo era tranquilo, sem estresse, tudo
era calmo, tranquilo.
Agora nesses tempos modernos a coisa é bem
diferente, a correria, o estresse, já não se tem
mais tempo pra nada, tudo isso me é estranho,
não consigo acostumar-me com isso, não gosto
nada disso.
Como um bom saudosista prefiro aqueles
velhos e bons tempos, era bem melhor, não era
corrido como agora, tudo era calmo, tranquilo,
era só paz e amor, cada um respeitava o tempo
do outro.
Agora não, a cobrança é grande, fica todo mundo
de olho um no outro, qualquer vacilo a cobrança
é certeira, a critica não demora a chegar, isso nos
deixa com a pulga atrás da orelha, às vezes não
fazemos algo por medo das criticas, com medo
de não agradar os outros.
Tudo isso acaba por atrapalhar a nossa vida, o
que acaba em fracasso, não por sermos fracos,
mas por excesso de prudência, tudo para não ser
criticado.
Sem duvida tudo isso acaba por atrapalhar nossa
vida, depois das redes sociais isso ficou ainda
pior, qualquer coisa que você faz ou fala logo
vem a enxurrada de criticas. Não se pode errar,
tudo tem que ser muito bem calculado, tudo tem
que ser muito bem feito. Fazendo uso de um
velho chavão( se correr o bicho pega, se ficar o
bicho come) o fato é que, não se pode vacilar, a
coisa tem que ser muito bem feita, quem erra é
fulminado.
Tudo isso acaba por contaminar as pessoas, os
que queria fazer as coisas acaba por não fazer, o
medo das criticas não lhes deixa realizar certos
sonhos, o medo acaba por sobrepor aos sonhos.
Mas como sou teimoso, não desisto nunca, não
tenho medo das criticas, continuo a fazer o que
gosto que é contar histórias, mesmo sabendo o
risco que corro de receber criticas. Sei que tem
os que gostam e os que não gostam de ouvir as
histórias que contamos, no entanto, não vai ser
por conta de criticas que vou parar de fazer o
que gosto.
Por isso peço aos que porventura acham que é
demasiadamente o que faço, que tenha calma e
veja o lado bom das coisas, que ouvi uma boa
história de vez em quando nos trás um pouco
de alento a já tristonha e conturbada alma. Na
vida tudo tem que ser levado em consideração,
nada pode ser descartado, nem mesmo as
criticas, pois elas poderão nos ajudar a rever
certos conceitos, ou seja, mudar para melhor o
que fazemos.
É por essas e outras que abracei esse projeto
em contar essas histórias que nos aconteceu no
passado, tudo isso acaba por dar uma pequena
contribuição para com a sociedade moderna
que não conhece certas coisas. Nota-se que os
moços não conhece muitas coisas que para nós
no passado era comum, normal, mas que agora
é novidade.
Assim como as coisas que acontece agora, na
modernidade são para mim estranha, coisas que
não consigo me acostumar, para esses moços o
que aconteceu no passado também lhes é
estranho.
O que é positivo em todo isso é que um acaba
por ajudar o outro, o velho e o novo um ajuda
o outro e ao final tudo acaba bem, todos ficam
felizes.
Vale ressaltar que, infeliz daqueles que não
tem uma história para contar, esse equivale a
uma folha seca que vaga ao vento do sem rumo
ou direção. Por conta disso que sempre lutei
para preservar essas memorias, esses preceitos
que fizeram parte de nossas vidas lá atrás e que
jamais poderá ser esquecido. Faço questão de
vos dizer que, a minha memoria é um arquivo
vivo, tenho muito o que contar, são muitas as
histórias que haverei de vos contar logo adiante
no momento oportuno.
Enquanto isso, vão curtindo essa do meu amigo
Chico, o menino que por conta da brincadeira
esqueceu de cumprir a tarefa que o pai lhes
confiou, que isso sirva de lição aos moços, as
obrigações vem sempre em primeiro lugar, as
brincadeiras vem depois. é assim que as coisas
funcionam.
De modo que, depois daquele acontecimento eu
aprendi uma lição, jamais deixar para depois o
que temos que fazer agora, nunca levei um cinto
no lombo, no máximo uma Carraspana, sempre
fui um menino obediente. Paz e bem.......
Raimundo Sucupira
terça-feira, 4 de agosto de 2026
MÁ CONDUTA
Entre uma pinga
e outra,
o pensamento.
A poesia nos
mostra,
a grandeza do
momento.
Um poeta que se
presa,
não brinca com a
poesia.
Não escreve com
pressa,
nem tão pouco
com hipocrisia.
O que vem do
coração,
é o que vai para o
papel.
Não importa o
refrão,
sé amarga feito
fel.
Na poesia se fala
do amor,
das coisas
maravilhosa.
Também se fala da
dor,
de muita coisa
misteriosa.
por Raimundo Sucupira
CAVALO BAIO
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, as lembranças é o maior e mais precioso dos
tesouros que um homem pode guardar, este grande
tesouro que as traças não come, os ladrões não
Roubam, em fim, este importante tesouro dura para
sempre.
Nem mesmo a falta da liberdade faz com que tudo
isso seja interrompido, mesmo preso o homem tem
as suas lembranças preservada.
Eu costumo dizer nas minhas crônicas que o homem
que não preserva a sua história, que não zela pela
memoria este equivale a uma folha seca a vagar ao
sabor do vento sem rumo e direção.
É por pensar dessa maneira que faço questão de ter
tudo isso muito bem preservado, guardado dentro
da minha cachola muito bem guardado, de vez em
quando vou lá e pego.
Quando sou acossado pela melancolia que aparece
para nos assombrar nesses tempos modernos apelo
para essas lembranças que estão lá muito bem
guardada. Sessenta e poucos anos passado do meu
nascimento recolhido no meu lar, pois não gosto de
sair muito de casa, prefiro ficar na tranquilidade da
minha casa para escrever as minhas crônicas e as
poesias.
Principalmente agora que o meu netinho Otto
Antônio chegou para alegrar a nossa família, agora
que não saio de casa mesmo.
Dia desse recorri a esse valioso tesouro que guardo
com muito cuidado, depois de revirar os alfarrábios
da mente dei de cara com uma passagem muito boa
que guardo muito bem.
Lá pelos idos dos anos sessenta precisamente 65, a
casa antiga donde morávamos, meu pai, minha Mãe
eu e meus irmãos e minhas irmãs. Lembro-me como
se fosse hoje, a dita casa ficava na beira da lagoa, o
lugar donde nasci, a dita casa ficava na beira da
estrada.
Casa grande de adobe, calçada de pedra, não tinha
o cimento o piso era de chão batido, pois o cimento
era para os ricos e o meu pai não era um homem de
muita posse.
A dita calçada de pedra tinha enormes lajes que era
muito bem colocada cobrindo toda a calçada de fora
a fora, uma maravilha para se sentar, eu costumava
fazer isso com frequência. Principalmente nas noites
de lua cheia quando todos da casa sentava na calçada
para contar histórias, era uma maravilha escutar essas
histórias.
Muito bem, por volta de 1965 com 5 para 6 anos, eu
lembro bem de uma figura fantástica que quase todos
os dias passava lá em casa para beber café e poder
prosear com o meu pai. Essa figura era um homem
muito importante da cidade, comerciante, político, o
homem chamava Gentil Vieira, uma figura muito boa
e importante.
O Gentil Vieira tinha uma fazenda num lugar muito
importante, essa fazenda era chamada de cerca de
burro, a dita fazenda ficava na estrada do grama, um
povoado muito importante em Paramirim, o recanto
donde nasci.
Ainda menino, repito, com 5 para 6 anos ficava a
sua espera, eis que de repente ele aparecia montado
no seu cavalo baio, parava ao lado da calçada, descia
do cavalo e amarrava o dito cujo num mourão que o
meu pai colocou ao lado da calçada. Eu ficava feliz
em ver aquele belo alazão cuja a sela tinha uma
linda estrela de prata, a dita cuja brilhava ao sol com
muita frequência.
Eu ficava maravilhado vendo tudo aquilo, coisas que
só as crianças sentem na sua inocência, enquanto isso
o Gentil Vieira coloca a prosa em dia com meu pai a
tomar um cafezinho fresco.
Depois do café aproveitava para o rapé que meu pai
fazia para o seu uso no dia a dia, rapé cheiroso pois
continha bonina.
O meu pai fazia o próprio rapé que usava, comprava
o fumo de rolo na feira que funcionava na praça da
Matriz de anto Antônio, a dita feira era nos dias de
sábado.
Lá de fora ouvia-se as rizadas quando a história era
engraçada, só depois o Gentil Vieira batia em retirada
rumo à sua fazenda na cerca de burro, donde criava
muitas cabeças de gado.
Lembro-me bem de todas essas passagens, que bom
rever tudo isso, passa na mente como se fosse um
filme, a velha e boa infância que há muito ficou para
trás.
Vai se lhes pra mais de sessenta anos, mas a memoria
continua fresca, novinha em folha, brilhando como as
estrelas no infinito, é isso que nos faz resistir firme os
ataques dessa modernidade. Como tenho dito, ainda
não me acostumei com essa modernidade, prefiro as
coisas do passado, fico mais feliz com essas doces
lembranças.
Mesmo que essas lembranças há muito ficaram para
trás, não importa, o importante que elas estão vivas
na minha cachola, quando bate a saudade é só folhar
as paginas da mente e lá estão elas. Não importa que
foi anos atrás, o importante é o que vi e vivi coisas
que nos fizeram feliz, e tudo isso não tem preço, não
se pode esquecer de tudo isso.
Vale ressaltar que, infeliz do homem que não tem
uma história para contar, um passado para orgulhar
se, quando isso acontece equipara-se a uma folha
seca que vaga ao sabor do vento sem rumo nem
direção.
Quanto à modernidade? que venha! vou enfrentar
a dita cuja de frente, sem medo, mesmo que caindo
e levantando haverei de labutar até o final, eis que
como um saudosista não desisto nunca, quem sabe
um dia haverei de acostumar-me.
Às vezes tento esconder aboletando-me em casa
por dias seguido sem sair, vos confesso que tudo
isso não é legal, porque fico distante dos amigos,
mas por outro lado não arrumo encrenca com
ninguém.
Já que nesses tempos moderno volta e meia tem
arranca rabo por onde você anda, às pessoas estão
sem paciência brigam por qualquer coisa isso não
é bom, a boa convivência é bem melhor do que o
confronto.
Eu que já tive vários amigos, vejo que esses estão
ficando escassos pois muitos deles já se foram, não
estão mais entre nós, muitos deles nos deixaram, a
saudade é grande.
Já não tem mais com quem bater um bom papo, a
solidão nos assola sem dó nem piedade, é muito
difícil ter que conviver com tudo isso, o sujeito tem
que ter o devido preparo. Como escritor, poeta, não
sinto tanto esses intempéries pois faço uso do meu
pensamento para superar tudo isso apelando sempre
para a memória.
Um dos grandes problemas que enfrentamos não é
ficar em casa, mas ficar sem saber o que se passa, o
isolamento nos deixa sem saber das coisas, às vezes
só ficamos sabendo das coisas dias depois do
ocorrido.
Esse é um dos problemas do isolamento, mas temos
que acostumar com tudo isso, é o preço que se paga
pelo isolamento, não se pode ganhar tudo, afinal, o
perde e ganha é constante.
O mais triste da modernidade é ver que todos estão
envolvido com um tal de celular, vivem com a cara
enfiada nessas telas e nem se quer nos dão atenção,
isso é triste.
A essas alturas da vida já não tem muito o que
perder, o que vier é lucro, não tenho muito do que
reclamar, há muito a vaidade ficou para trás, isso é
um alento.
No silêncio da meia noite, pois é nessas hora que
gosto de escrever é mais tranquilo não tem quem
nos atrapalha, é só você, a caneta e o papel, tudo
fica mais fácil.
É nesses momentos de tranquilidade que faço
uso dos alfarrábios da mente para voltar no tempo
rever tudo aquilo que vivi e que nos trás um certo
alento a já tão conturbada alma. Tudo isso é muito
importante para nós, parece simples mas é muito
importante, é o que nos mentem firme na nossa
labuta para sobreviver os tempos modernos sem
ficar tanto para trás.
Além do mais, não ficamos tanto isolado, tem um
tal computador que sabendo usar é bom, ele nos é
útil quando é bem usado, deixando de lado as tais
fake News, as mentiras, se aproveita muitas coisas
boas.
Eu que não sou bobo nem nada, aproveitei o meu
Blog para colocar os meus 5 Livros de poesias para
os leitores ler, pois não tenho dinheiro para pagar
uma Editora para editar os Livros. Quem quiser ler
é só ir no meu Blog que terão a oportunidade de
ler as poesias que esse humilde poeta escreve, para
mostrar o que pensa.
Não sou pretencioso, não, longe disso, quero tão
somente deitar ao papel o que a mim vem por via
do coração, tudo aquilo que vejo, sinto e penso,
nada mais que isso.
O meu Blog é (Raimundo Sucupira o Poeta) é só ir
no Google e fazer a busca logo os amigos e amigas
terão acesso ao Blog.
Cá pra nós, fazendo uso da sabedoria e do bom
senso se pode conviver bem com a modernidade,
o passado e o presente pode muito bem conviver
sem atritos, é uma questão de ponto de vista, da
maneira que encaramos tudo isso. Paz e bem......
Raimundo Sucupira
terça-feira, 28 de julho de 2026
MULUNDU
Tinha um mulundu na
beira da estrada,
na beira da estrada tinha
um mulundu.
O mulundu não quer
dizer Nada,
é tão somente mais um
mulundu.
Tinha um caminho a
seguir,
tinha uma estrada a
percorrer.
Não se sabe o que há
por vir,
se vai viver ou se vai
morrer.
Tinha um sonho para
sonhar,
uma vida para se
Viver.
Tinha uma história
para contar,
tinha um amor para
Reviver.
Tinha uma poesia para
Mostrar,
um conto para
Escrever.
Um coração para que
possa Amar,
um grande amor para
Viver.
Por Raimundo Sucupira
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