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terça-feira, 6 de abril de 2010
CARRO DE BOI
quando eu era ainda
pequeno,
andava de carro de
boi.
meu velho pai queno,
que há muito tempo
se foi.
carregava milho no
roçado,
eu era o tocador.
chegava em casa
cansado,
mamãe tratava-me
com amor.
a vida tomava seu
rumo,
hoje eu vejo com
saudade.
a vida sair do prumo,
entrando em cena
a vaidade.
as noites de lua não
é como antigamente,
não se conta mais
historia.
não se anda livremente,
tempo bom só na
memoria.
por Raimundo Sucupira
pequeno,
andava de carro de
boi.
meu velho pai queno,
que há muito tempo
se foi.
carregava milho no
roçado,
eu era o tocador.
chegava em casa
cansado,
mamãe tratava-me
com amor.
a vida tomava seu
rumo,
hoje eu vejo com
saudade.
a vida sair do prumo,
entrando em cena
a vaidade.
as noites de lua não
é como antigamente,
não se conta mais
historia.
não se anda livremente,
tempo bom só na
memoria.
por Raimundo Sucupira
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
AGENDA
nas paginas da minha
mente,
guardo muito mais
segredos.
como se tivesse
presente,
diante de mim como
os dedos.
folhando esse velho
arquivo,
encontro o que já se
foi.
nele eu revivo,
até o que me doi.
como se fosse um
filme na mente,
mostrando-me sem
corte.
passado e presente,
até que venha a
morte.
essa vida é mesmo
assim,
cada um conta o que
sabe.
o que é bom pra mim,
em sua historia não
cabe.
por Raimundo Sucupira
mente,
guardo muito mais
segredos.
como se tivesse
presente,
diante de mim como
os dedos.
folhando esse velho
arquivo,
encontro o que já se
foi.
nele eu revivo,
até o que me doi.
como se fosse um
filme na mente,
mostrando-me sem
corte.
passado e presente,
até que venha a
morte.
essa vida é mesmo
assim,
cada um conta o que
sabe.
o que é bom pra mim,
em sua historia não
cabe.
por Raimundo Sucupira
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sexta-feira, 12 de março de 2010
CASA VELHA
eu morava numa casa
velha,
tinha o quintal cheio
de palma.
um rebanho de ovelha,
tirava-me a calma.
quando puxo pela
memória,
vejo minha mãe no
velho pilão.
deixo claro em minha
historia,
o que carrego no
coração.
aquela mulher tão
pequena,
de um amor tão grande.
acariciava minha pele
morena,
por mim movia um
bonde.
que saudade de minha
mãe,
joia que a perdi.
hoje a tristeza me impõe,
quanta falta sinto de ti.
por Raimundo Sucupira
velha,
tinha o quintal cheio
de palma.
um rebanho de ovelha,
tirava-me a calma.
quando puxo pela
memória,
vejo minha mãe no
velho pilão.
deixo claro em minha
historia,
o que carrego no
coração.
aquela mulher tão
pequena,
de um amor tão grande.
acariciava minha pele
morena,
por mim movia um
bonde.
que saudade de minha
mãe,
joia que a perdi.
hoje a tristeza me impõe,
quanta falta sinto de ti.
por Raimundo Sucupira
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Saudade
segunda-feira, 8 de março de 2010
CALÇA RISCADA
Lembro-me quando
ia á feira,
camisa de algodão.
calça riscada com
algibeira,
uma tira de couro
como cinturão.
alpercatas com nó
apertado,
tudo isso prá não
sair do pé.
lá ia eu todo
esticado,
comer brevidade na
barraca de seu zé.
refresco de groselha
no pote,
era só felicidade.
ia prá feira aos trote,
doidinho prá mata a
vontade.
tempos de minha
infância,
de vez enquanto eu
gosto de lembrar.
coisas quase sem
importância.
mas que eugosto de
recordar.
por Raimundo Sucupira
ia á feira,
camisa de algodão.
calça riscada com
algibeira,
uma tira de couro
como cinturão.
alpercatas com nó
apertado,
tudo isso prá não
sair do pé.
lá ia eu todo
esticado,
comer brevidade na
barraca de seu zé.
refresco de groselha
no pote,
era só felicidade.
ia prá feira aos trote,
doidinho prá mata a
vontade.
tempos de minha
infância,
de vez enquanto eu
gosto de lembrar.
coisas quase sem
importância.
mas que eugosto de
recordar.
por Raimundo Sucupira
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Saudade
SOLITARIO
eis que encontro-me
tristonho,
a vida me é ingrata.
não tenho mais
sonho,
a solidão me maltrata.
nessa vida de tudo
fiz,
no momento nada
tenho.
o que preciso prá ser
feliz,
condena-me ao lenho.
uma historia mal
acabada,
sendo ela do coração.
é como um beco sem
saida,
o destino é a solidão.
atormenta-me uma
saudade.
no peito sem parar.
torturando-me sem
piedade,
eis uma alma á sangrar.
tristonho,
a vida me é ingrata.
não tenho mais
sonho,
a solidão me maltrata.
nessa vida de tudo
fiz,
no momento nada
tenho.
o que preciso prá ser
feliz,
condena-me ao lenho.
uma historia mal
acabada,
sendo ela do coração.
é como um beco sem
saida,
o destino é a solidão.
atormenta-me uma
saudade.
no peito sem parar.
torturando-me sem
piedade,
eis uma alma á sangrar.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
UMBUZEIRO
lembro-me da sombra
do umbuzeiro,
o balanço com corda
de caroá,
onde eu brincava o dia
inteiro,
balançava pra lá e prá
cá.
de vez em quando
quebrava,
o moleque rolava na
poeira.
da queda se levantava,
era mais forte que um
pau pereira.
não tinha nenhuma
maldade,
não preocupava com
nada.
tudo era felicidade,
como era feliz
a meninada.
o coração fica apertado,
acabou a minha
infancia.
sinto-me como um
coitado,
nesse mundo sem
importancia.
por Raimundo Sucupira
do umbuzeiro,
o balanço com corda
de caroá,
onde eu brincava o dia
inteiro,
balançava pra lá e prá
cá.
de vez em quando
quebrava,
o moleque rolava na
poeira.
da queda se levantava,
era mais forte que um
pau pereira.
não tinha nenhuma
maldade,
não preocupava com
nada.
tudo era felicidade,
como era feliz
a meninada.
o coração fica apertado,
acabou a minha
infancia.
sinto-me como um
coitado,
nesse mundo sem
importancia.
por Raimundo Sucupira
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
FAROFA DE CARIRU
alpercatas de coro
cru,
naquele tempo era
moda.
o povo comia farofa
de cariru,
cantando samba de
roda.
curtia a noite inteira,
e não fazia confusão.
quando era segunda
feira,
pegava na foice e no
facão.
hoje em dia a coisa
mudou,
não existe mais
respeito.
o povo se revoltou,
pouca gente anda
direito.
a tal da vaidade,
é um beco sem
saida.
só nos resta a saudade,
daquela doce vida.
por Raimundo Sucupira
cru,
naquele tempo era
moda.
o povo comia farofa
de cariru,
cantando samba de
roda.
curtia a noite inteira,
e não fazia confusão.
quando era segunda
feira,
pegava na foice e no
facão.
hoje em dia a coisa
mudou,
não existe mais
respeito.
o povo se revoltou,
pouca gente anda
direito.
a tal da vaidade,
é um beco sem
saida.
só nos resta a saudade,
daquela doce vida.
por Raimundo Sucupira
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
PILÃO
lembro de minha mãe
ao pilão,
as galinhas em volta
catando.
eu abrindo biroscas no
chão,
meu pai no monturo
capinando.
tempos que não voltam
mais,
é muito grande a
saudade.
brincadeiras com pedras
de cristais,
as voltas de carretilhas
pela cidade.
o mundo não é mais o
mesmo,
tudo mudou para mim.
caminho á esmo,
sinto-me perto do fim.
apego ao que vem
pela mente,
como se fosse uma
criança.
lembro de tudo
claramente,
resta-me brincar com
a lembrança.
por Raimundo Sucupira
ao pilão,
as galinhas em volta
catando.
eu abrindo biroscas no
chão,
meu pai no monturo
capinando.
tempos que não voltam
mais,
é muito grande a
saudade.
brincadeiras com pedras
de cristais,
as voltas de carretilhas
pela cidade.
o mundo não é mais o
mesmo,
tudo mudou para mim.
caminho á esmo,
sinto-me perto do fim.
apego ao que vem
pela mente,
como se fosse uma
criança.
lembro de tudo
claramente,
resta-me brincar com
a lembrança.
por Raimundo Sucupira
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
CAIS
um menino é a verdade
com o corpo miúdo,
a beleza com o rosto
sujo.
a sabedoria acima de
tudo,
a esperança de um
marujo.
que sentado a beira da
praia,
contempla a beleza do
mar.
enquanto uma bela
arraia,
desfila pelo lugar.
os olhos brilham como
a luz,
sem preocupação.
a alegria o conduz,
como uma bela canção.
que saudade daquele
momento,
tempo que não volta
mais.
resta-me o lamento,
sentado a beira do cais.
por Raimundo Sucupira
com o corpo miúdo,
a beleza com o rosto
sujo.
a sabedoria acima de
tudo,
a esperança de um
marujo.
que sentado a beira da
praia,
contempla a beleza do
mar.
enquanto uma bela
arraia,
desfila pelo lugar.
os olhos brilham como
a luz,
sem preocupação.
a alegria o conduz,
como uma bela canção.
que saudade daquele
momento,
tempo que não volta
mais.
resta-me o lamento,
sentado a beira do cais.
por Raimundo Sucupira
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