terça-feira, 4 de agosto de 2026
CAVALO BAIO
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, as lembranças é o maior e mais precioso dos
tesouros que um homem pode guardar, este grande
tesouro que as traças não come, os ladrões não
Roubam, em fim, este importante tesouro dura para
sempre.
Nem mesmo a falta da liberdade faz com que tudo
isso seja interrompido, mesmo preso o homem tem
as suas lembranças preservada.
Eu costumo dizer nas minhas crônicas que o homem
que não preserva a sua história, que não zela pela
memoria este equivale a uma folha seca a vagar ao
sabor do vento sem rumo e direção.
É por pensar dessa maneira que faço questão de ter
tudo isso muito bem preservado, guardado dentro
da minha cachola muito bem guardado, de vez em
quando vou lá e pego.
Quando sou acossado pela melancolia que aparece
para nos assombrar nesses tempos modernos apelo
para essas lembranças que estão lá muito bem
guardada. Sessenta e poucos anos passado do meu
nascimento recolhido no meu lar, pois não gosto de
sair muito de casa, prefiro ficar na tranquilidade da
minha casa para escrever as minhas crônicas e as
poesias.
Principalmente agora que o meu netinho Otto
Antônio chegou para alegrar a nossa família, agora
que não saio de casa mesmo.
Dia desse recorri a esse valioso tesouro que guardo
com muito cuidado, depois de revirar os alfarrábios
da mente dei de cara com uma passagem muito boa
que guardo muito bem.
Lá pelos idos dos anos sessenta precisamente 65, a
casa antiga donde morávamos, meu pai, minha Mãe
eu e meus irmãos e minhas irmãs. Lembro-me como
se fosse hoje, a dita casa ficava na beira da lagoa, o
lugar donde nasci, a dita casa ficava na beira da
estrada.
Casa grande de adobe, calçada de pedra, não tinha
o cimento o piso era de chão batido, pois o cimento
era para os ricos e o meu pai não era um homem de
muita posse.
A dita calçada de pedra tinha enormes lajes que era
muito bem colocada cobrindo toda a calçada de fora
a fora, uma maravilha para se sentar, eu costumava
fazer isso com frequência. Principalmente nas noites
de lua cheia quando todos da casa sentava na calçada
para contar histórias, era uma maravilha escutar essas
histórias.
Muito bem, por volta de 1965 com 5 para 6 anos, eu
lembro bem de uma figura fantástica que quase todos
os dias passava lá em casa para beber café e poder
prosear com o meu pai. Essa figura era um homem
muito importante da cidade, comerciante, político, o
homem chamava Gentil Vieira, uma figura muito boa
e importante.
O Gentil Vieira tinha uma fazenda num lugar muito
importante, essa fazenda era chamada de cerca de
burro, a dita fazenda ficava na estrada do grama, um
povoado muito importante em Paramirim, o recanto
donde nasci.
Ainda menino, repito, com 5 para 6 anos ficava a
sua espera, eis que de repente ele aparecia montado
no seu cavalo baio, parava ao lado da calçada, descia
do cavalo e amarrava o dito cujo num mourão que o
meu pai colocou ao lado da calçada. Eu ficava feliz
em ver aquele belo alazão cuja a sela tinha uma
linda estrela de prata, a dita cuja brilhava ao sol com
muita frequência.
Eu ficava maravilhado vendo tudo aquilo, coisas que
só as crianças sentem na sua inocência, enquanto isso
o Gentil Vieira coloca a prosa em dia com meu pai a
tomar um cafezinho fresco.
Depois do café aproveitava para o rapé que meu pai
fazia para o seu uso no dia a dia, rapé cheiroso pois
continha bonina.
O meu pai fazia o próprio rapé que usava, comprava
o fumo de rolo na feira que funcionava na praça da
Matriz de anto Antônio, a dita feira era nos dias de
sábado.
Lá de fora ouvia-se as rizadas quando a história era
engraçada, só depois o Gentil Vieira batia em retirada
rumo à sua fazenda na cerca de burro, donde criava
muitas cabeças de gado.
Lembro-me bem de todas essas passagens, que bom
rever tudo isso, passa na mente como se fosse um
filme, a velha e boa infância que há muito ficou para
trás.
Vai se lhes pra mais de sessenta anos, mas a memoria
continua fresca, novinha em folha, brilhando como as
estrelas no infinito, é isso que nos faz resistir firme os
ataques dessa modernidade. Como tenho dito, ainda
não me acostumei com essa modernidade, prefiro as
coisas do passado, fico mais feliz com essas doces
lembranças.
Mesmo que essas lembranças há muito ficaram para
trás, não importa, o importante que elas estão vivas
na minha cachola, quando bate a saudade é só folhar
as paginas da mente e lá estão elas. Não importa que
foi anos atrás, o importante é o que vi e vivi coisas
que nos fizeram feliz, e tudo isso não tem preço, não
se pode esquecer de tudo isso.
Vale ressaltar que, infeliz do homem que não tem
uma história para contar, um passado para orgulhar
se, quando isso acontece equipara-se a uma folha
seca que vaga ao sabor do vento sem rumo nem
direção.
Quanto à modernidade? que venha! vou enfrentar
a dita cuja de frente, sem medo, mesmo que caindo
e levantando haverei de labutar até o final, eis que
como um saudosista não desisto nunca, quem sabe
um dia haverei de acostumar-me.
Às vezes tento esconder aboletando-me em casa
por dias seguido sem sair, vos confesso que tudo
isso não é legal, porque fico distante dos amigos,
mas por outro lado não arrumo encrenca com
ninguém.
Já que nesses tempos moderno volta e meia tem
arranca rabo por onde você anda, às pessoas estão
sem paciência brigam por qualquer coisa isso não
é bom, a boa convivência é bem melhor do que o
confronto.
Eu que já tive vários amigos, vejo que esses estão
ficando escassos pois muitos deles já se foram, não
estão mais entre nós, muitos deles nos deixaram, a
saudade é grande.
Já não tem mais com quem bater um bom papo, a
solidão nos assola sem dó nem piedade, é muito
difícil ter que conviver com tudo isso, o sujeito tem
que ter o devido preparo. Como escritor, poeta, não
sinto tanto esses intempéries pois faço uso do meu
pensamento para superar tudo isso apelando sempre
para a memória.
Um dos grandes problemas que enfrentamos não é
ficar em casa, mas ficar sem saber o que se passa, o
isolamento nos deixa sem saber das coisas, às vezes
só ficamos sabendo das coisas dias depois do
ocorrido.
Esse é um dos problemas do isolamento, mas temos
que acostumar com tudo isso, é o preço que se paga
pelo isolamento, não se pode ganhar tudo, afinal, o
perde e ganha é constante.
O mais triste da modernidade é ver que todos estão
envolvido com um tal de celular, vivem com a cara
enfiada nessas telas e nem se quer nos dão atenção,
isso é triste.
A essas alturas da vida já não tem muito o que
perder, o que vier é lucro, não tenho muito do que
reclamar, há muito a vaidade ficou para trás, isso é
um alento.
No silêncio da meia noite, pois é nessas hora que
gosto de escrever é mais tranquilo não tem quem
nos atrapalha, é só você, a caneta e o papel, tudo
fica mais fácil.
É nesses momentos de tranquilidade que faço
uso dos alfarrábios da mente para voltar no tempo
rever tudo aquilo que vivi e que nos trás um certo
alento a já tão conturbada alma. Tudo isso é muito
importante para nós, parece simples mas é muito
importante, é o que nos mentem firme na nossa
labuta para sobreviver os tempos modernos sem
ficar tanto para trás.
Além do mais, não ficamos tanto isolado, tem um
tal computador que sabendo usar é bom, ele nos é
útil quando é bem usado, deixando de lado as tais
fake News, as mentiras, se aproveita muitas coisas
boas.
Eu que não sou bobo nem nada, aproveitei o meu
Blog para colocar os meus 5 Livros de poesias para
os leitores ler, pois não tenho dinheiro para pagar
uma Editora para editar os Livros. Quem quiser ler
é só ir no meu Blog que terão a oportunidade de
ler as poesias que esse humilde poeta escreve, para
mostrar o que pensa.
Não sou pretencioso, não, longe disso, quero tão
somente deitar ao papel o que a mim vem por via
do coração, tudo aquilo que vejo, sinto e penso,
nada mais que isso.
O meu Blog é (Raimundo Sucupira o Poeta) é só ir
no Google e fazer a busca logo os amigos e amigas
terão acesso ao Blog.
Cá pra nós, fazendo uso da sabedoria e do bom
senso se pode conviver bem com a modernidade,
o passado e o presente pode muito bem conviver
sem atritos, é uma questão de ponto de vista, da
maneira que encaramos tudo isso. Paz e bem......
Raimundo Sucupira
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