terça-feira, 16 de junho de 2026
CABELO DE ESPIGA DE MILHO
Caro Amigo, eu me abalanço a lhes dizer e redizer
que, haverei de partir sem conseguir me acostumar
com a tal da modernidade, vos confesso que ainda
não me acostumei com a dita cuja, a cada mudança
uma surpresa.
Olhe, que tem tido muitas surpresas no mundo nos
últimos anos, foram muitas que aconteceram para a
nossa surpresa, uma delas foi ascensão da extrema
direita fascista no mundo.
Todos os dias que acordo e ligo a televisão ou ligo
o computador é uma bramura diferente, sempre tem
algo para nos assombrar.
As coisas mudam a todo instante, numa velocidade
impressionante que não nos permite acompanhar,
por conta disso não consigo acostumar com tudo que
acontece.
O pior é que raramente acontece algo bom para nos
alegrar, são sempre coisas para se preocupar, nada
que venha nos alegrar, é uma guerra atrás da outra,
o mundo está sempre em guerra.
Parece que o ser humano ainda não aprendeu viver
em harmonia, há sempre algo para disputar fazendo
uso da força bruta.
Vê-se alguns países atravessando o planeta para
invadir e atacar os outros sem a menor cerimônia,
e ninguém diz nada, todos ficam mudos, como se
tudo isso fosse normal.
Esses animais que tem o poder de raciocinar, por
tanto, de separar o certo do errado mesmo assim ele
age como se fosse irracional jogando por terra tudo
aquilo que aprendeu na infância que é viver em paz
com seu irmão.
Por conta disso raramente saio de casa, só quando é
preciso resolver algo de suma importância, ai saio
mas com muito cuidado para não me envolver com
nenhum problema.
Dia desse ao andar pelas ruas da minha amada terra
o recanto encantador donde nasci, Paramirim Ba, vi
algo que chamou-me atenção, ao andar por uma das
ruas dei de cara com um grupo de Jovens, dentre
eles uma bela garota. A dita garota ostentava um
belo cabelo, não era um cabelo qualquer, pois este
eram diferente das outras garotas, vermelho da cor
do cabelo da espiga de milho.
Ao ver aquela cena não pude deixar de voltar no
tempo, quando chegava na roça com meu pai para
chegar terra no milho já espigado, olhava em meio
as ruas e via as espigas do milho, o cabelo vermelho
alguns loiros.
Continuei a olhar para a garota o seu cabelo da cor
do cabelo da espiga do milho, sem duvida uma bela
cena, impensável para aquela época, mas que agora
é moda.
Em se tratando de moda vemos coisas do arco da
velha, principalmente em se tratando dos jovens, é
sempre inovando nas suas atitudes, alguns com um
certo exagero.
como deixar de lembrar das brincadeiras com as
meninas no terreiro, os meninos com os currais com
as vacas feita com as frutas do quiabento e sabugo
de milho, belos currais.
Tinha a disputa para ver quem fazia o maior e mais
bonito curral, o que tinha mais bois, a disputa era
grande.
Do outro lado as meninas cada uma com a sua
boneca em mãos feita com a espiga de milho, com
os cabelos devidamente penteados, volta e meia a
Mamãe nos dava uma bronca por ter atacado os pés
de milho no monturo.
Revivendo tudo isso, porém, sem tirar os olhos da
garota, pois estava muito bonita com aquele cabelo
da cor do cabelo de milho, que coisa bela de se vê,
a mente vagando pelo passado vendo o presente, a
modernidade que ainda não consegui me adaptar, a
surpresa.
Vai-se lhes pra mais de 60 anos e as lembranças
estão fresquinhas, como se o tempo não tivesse
passado, tudo continua como dantes, nada mudou,
brilha como as estrelas que jamais empalidecem,
o pensamento também.
De vez em quando paro e dou uma folhada nas
paginas da mente, dou uma olhadinha nos meus
Alfarrábios e vejo algumas coisas que fazia na
saudosa infância.
Como não tinha a tal da internet, o celular, os tais
jogos eletrônico para jogar, para ficar com a cara
enfiada nessas telas, a história era outra, as
crianças tinha que construir o próprio brinquedo.
Os meninos fazia os carrinhos de madeira, bolas
de gude, carretilha, pipas e outros mais.
As meninas costuravam as suas bonecas, usava as
bonecar de milho, as casinhas de galhos feito das
plantas, em fim, se viravam para brincar, ninguém
reclamava.
Como esquecer das noites de lua cheia, as historias
que os mais velhos contava, a mula sem cabeça, o
lobisomem, tudo isso não sai da memória.
Com um detalhe muito importante, erámos felizes
com muito pouco, não precisava de muito para se
sentir feliz, com o simples, com o básico conseguia
essa façanha.
Hoje a história é bem diferente, mesmo com tudo
nas mãos os jovens parte para o lado obscuro, faz
uso das drogas, das coisas proibidas, coisas que os
jovens daquela época não fazia.
São essas coisas que eu não entendo nesse mundo
moderno, coisas que acontece nessa modernidade,
como um saudosista não consigo entender o que se
passa.
Eis o pensamento do um poeta que fervilha, vaga
pelo passado em busca das lembranças boas que
vivi, que coisa maravilhosa, é isso que nos traz o
conforto diante da melancolia do dia a dia que tem
nos acossado.
Eis que de repente o grupo de jovem bateu em
retirada e a garota partiu em meio a eles para a
minha tristeza, pois aquela cena era boa de se vê.
Fazendo uso de um velho chavão que diz( que a
alegria do pobre dura pouco) nesse caso a minha
durou alguns minutos.
Ao voltar para casa peguei a caneta e o papel e
escrevi essa crônica e uma poesia falando dessa
assunto, depois fui para o computador e passei a
limpo.
Costumo fazer isso para não perder o hábito da
escrita, escrevo as crônicas e poesias primeiro
no papel só depois irei para o computador, essa
é a minha regra.
Assim como a leitura, jamais abri mão de uma
boa leitura, de um bom livro, pois os livros nos
abre caminhos, nos leva a lugares nunca dantes
visitado.
Liberta a mente mesmo que esteja preso, nada
lhes atrapalha em se tratando da leitura, tudo é
possível, é o doce mistério da mentalidade, que
cada um tem o seu, somos todos iguais no físico
porém, diferente no pensar.
É essa a grandeza do ser humano, da criatura e
do seu criador, todos iguais fisicamente mas no
tocante ao pensamento diferente, é isso que faz
o humano perfeito.
Não há maquina mais perfeita do que a maquina
humana, é por isso que conseguimos acompanhar
a modernidade mesmo com o passar dos anos isso
não nos atrapalha em nada. É perfeitamente
possível viver bem o presente sem abrir mão do
passado, quando necessário é só folhar as
paginas da mente e tudo virá a tona no mesmo
instante.
De modo que, ao ver aquela cena no mesmo
instante folhei as paginas da mente voltando ao
passado, revivendo tudo aquilo que vi e vivi na
infância, coisas que naquela época era normal
mas que agora já não se vive mais, coisas que a
vida nos permitia viver e que hoje já não nos
permite mais.
Coisas simples que nos acontecia e que nos
fazia feliz, que nos dias de hoje não acontece
com tanta frequência, quando isso nos causa a
surpresa como a que me causou e isso não tem
preço.
Quem viveu viveu, que não viveu não vive
mais, é por isso que devemos preservar tudo
que vivemos no passado para que quando nós
fomos indagados pelos moços termos o que
lhes Responder. De vez em quando os moços
vem até mim para fazer algumas indagações,
minha resposta não tarda, eles não sai sem ter
a devida resposta.
Vos afirmo, aquele que não tem uma história
para contar a sua vida não tem o menor valor,
pois o que faz sentido na vida de um ser é a
sua história.
Por tanto, infeliz daqueles que não tem uma
história para contar, um passado para se
orgulhar, é isso que faz um homem ou uma
mulher grande.
Depois de labutar por mais de 48 anos na vida
pública resolvi descansar sobre a sombra do
tempo para o merecido descanso, é justo, lutei
muito, tenho o merecimento, lutei a luta justa,
combati o bom combate é justo o descanso. A
nova geração deve assumir o leme, o mar é
revolto, porém, o horizonte é logo ali, remar é
preciso. Paz e bem.....
Raimundo Sucupira
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deu-se em conseqüência da colonização e exploração das minas do rio das Contas, no município de Rio de Contas, quando portugueses e brasileiros, seguindo pelas margens do Rio Brumado, cujas nascentes se controvertem no pico das Almas com as do rio Paramirim, lograram acesso às minas de ouro do Morro de Fogo nas proximidades do Vale do Paramirim, onde se encontra localizada hoje a cidade deste nome.
Sua área total é de 1.116 quilometro quadrados e a população de 2.00 é de 18.921 (dezoito mil novecentos e vinte e um habitantes). Seu clima é quente, na época das trovoadas (Verão), e agradável no resto das estações. Sua vegetação é predominante de Caatinga. A altitude da sede municipal é de 654 metros acima do nível do mar. Seus principais recursos econômicos são a agricultura, pequenas indústrias, a silvicultura, que, depois das atividades domésticas é o ramo ocupacional mais numeroso.
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